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Força, Menina!

Firme e forte, ela é dona do seu destino. Do corpo, gestos,  trejeitos de uma pessoa feliz... Segue enfrentando o turbilhão de palavras Da fonte em que jorram impropérios e mentiras. Não a toque,  ela é dona de si mesma. Não pense que o provoca, ela só quer se sentir bem. Não imagine o que você poderia fazer Quando nada contigo ela quer. Vê o horizonte acima de todos nós... Deixe a menina tranquila Seguir seu caminho na vida Sem as marcas de nenhuma agressão. Menina sozinha e ligeira, Seja firme como uma guerreira, Brilhando igual a um raio de sol. Não tenha medo de enfrentar o perigo, Pois no coração você tem o abrigo Das mágoas e dores deste mundo insano.

Tempo Pacífico

O tempo caminha suave Com os dias pacíficos De um terno recomeço. Olhos profundos refletem na água A luz esquecida dos dias de março. Gravo incertezas como novas esperanças. Deixo os caminhos seguirem constantes, Enquanto crio leve e sozinho Um novo trilho de medos mensurados. Tenho muito a dizer... Exceto quando o chão Parece correr a milhas de mim, Tentando roubar o chão onde me firmo. As horas - pacífico pêndulo Deixam à mostra o medo divergente No tempo florescido das orquídeas multicoloridas, Retalhos que compõem um mosaico - quem sou...

Sereno

Contemplo a enxurrada abrupta e constante, Enquanto o vento empurra Para trás os passos esquecidos. Caminho sereno na chuvosa noite De verão... Conto o tempo Desse singelo descompasso Longe dos abraços e olhares teus. Mantenho firme o tom sereno De quem sabe o que faz Mesmo sem perceber... Olho no espelho e, surpreso, Não tenho medo do amanhã, Mesmo com o passado Deixando indeléveis marcas em mim. Se puder,  olhe nos meus olhos, E guarde a certeza de que não somos Nada além de vento Num momento tão distante, Onde o céu era cinza E a saudade o meu estado.

Transigência

A paciência do momento Não condiz com outros tempos, Difíceis lembranças dispersas, Alheias ao meu sentimento. Tento guardar na memória A segurança do gesto Na garra de quem deseja Escrever um novo dia Com o céu azul e mais belo. Vagas palavras sensíveis ecoam O meu embaraço. Corro sutilmente e distante Dos fantasmas que um dia criei...

Incisão

Viajam no tempo as formas fluídas Do mês de abril que corre cansado. Vagueia o silêncio de imponderáveis lembranças Quando tudo o que busco é a calma constante. Arcas jogadas ladeiras abaixo Quase não deixam memórias gravadas. Ecoam o fim do que nunca existiu, Clamam sozinhas por um recomeço. Migra o desespero frente ao passado De incríveis palavras - já desgastadas. E quando as horas triunfam serenas, Escrevo um poema - que fale - de amor.

Teu espectro no tempo

As novas palavras vagueiam o silêncio. Os olhos firmes buscam outro horizonte. Os segundos mantém em suspenso O mais recôndito mistério no tempo. Gritos da noite distante Assomam da rua inclemente. Voa no escuro o caminho Que um dia pensei ser o certo. Malfadado silêncio dos passos regrados Deu às horas o tom do mais claro querer. Busco em meio às lembranças Das palavras perdidas O amor que um dia dediquei ao teu riso.

Incógnitas

Não precisa negar. Todos os gestos acusam O vacilante e temido sentir. Vê... Percebo à distância O leve sussurro do vento Trazendo a lembrança De velhos disparates Dos caminhos por onde andei. Persigo a monotonia Dos já conhecidos e retraçados começos, Buscando no espelho a fonte das certezas. O azul caminha sereno Rumo à noite furta cor. Segue tão firme, Discreto e gentil Como um verso do mais puro amor.

Recortes

Não conto as horas passadas. Apenas mantenho o olhar sereno De quem enfrenta dragões sorrateiros Em todas as horas,  trevas ou escuro. Percebo no tempo adverso A incerteza que enfrenta um medo bobo. Segue sutil e exata Um caminho cinza e concreto. O temor sorri, afinal? Ou sou eu quem procuro paragens Onde escreva os versos mais limpos?

Horas...

As horas lúcidas transcorrem serenas Enquanto passos distantes se movem. Não há nuvens que assustem o dia azul Quando tudo ao redor parece estar desfocado. Permeia o tempo as palavras dispersas em vão. Clareia os gestos livres da imaginação. Conduz os olhos à contemplação do universo Na busca do diverso querer e existir... Seguem as folhas das árvores O balanço do vento sutil... Deixam as horas o seu abandono, Buscando no tempo ritmado o ardil. São passos discretos a caminhar Sob as árvores monótonas e ritmadas, Distantes das nuvens que encantam o dia, Nas horas serenas e azuis das palavras.

Intensidade

Horas mantidas no compasso constante. Sigo os fluidos dos passos perdidos. Ouço a chuva distante Que põe as multidões das ruas Em constante alvoroço. As palavras socorrem Quando tudo faz sentido. Roda no dia o silêncio Da prudência aprendida. O dia deu o tom sereno Aos caminhos que percorri, Mesmo tendo o perigo ao lado, Deixei o instinto da serenidade Dar ao momento o jeito Do mais bem feito poema de amor...