Constante
Habituado ao silêncio,
Divagando acerca do tempo
Não tenho mais medo do escuro
Tanto quanto de esquecer quem sou,
De onde vim, um eu
Que ao longo do tempo, firme e paciente
Construí, sem amarras e vergonha.
Já me perdi algumas vezes
Em personagens que não me cabiam.
Já tentei muito agradar tanta gente,
E nisso me anulei.
Já não importam os outros
Tanto quanto a paz da consciência
Que se percebe tranquila.
E já não vale a pena
Comparar minha trajetória
Aos passos de velhos amigos.
Seguimos traçados distintos,
E amamos cada ponto de nossas estradas.
E assim, vou seguindo calmamente.
Se o amor estiver de braços abertos,
Na forma da mulher que hoje me encanta,
A vida se faz ainda mais leve e branda
E os sonhos sorrirão com o destino.
Mas se isso não acontecer,
As circunstâncias e o tempo vão me socorrer
E seguirei sereno e constante
Abraçando as surpresas do caminho.
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