Chuvas

Choveu e passou...
As gotas dispersas no chão
Sumiram com as lágrimas perdidas
Há um ano atrás.

Choveu e secou
A saudade das palavras
Do afeto fragmentado
Do amor que se perdeu.

Choveu e passou
 - Para não mais voltar
O medo de perder vagas lembranças,
Gentis retratos de irrealidade.

Choveu e silenciou
A dor que me habitava.
Quando olho o horizonte,
Sorrio, pois sei que, ao amanhecer,
Me deparo com a sutil e forte beleza
Da mulher para a qual não me declaro,
Mas que me contenta simplesmente admirar
- Em silêncio, ou falando sem grandes pretensões.
O sentir não é posse ou contato,
Mas a certeza de vagar em território incerto
E ainda assim, seguir confiante a intuição
A doçura e a paz
E não sofrer pelo que passou e se escondeu
- Para nunca mais.

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