O Tempo da Noite
Noite fria, tempo cinza...
De fora ecoam os sons do brejo
A sinfonia do campo
Entoada por sapos, rãs e cigarras.
Ao longe, as siricoras
Chamam a chuva
Que tímida, ainda não se apresenta.
Tempo frio, noite cinza...
Sábado à noite, calmaria.
Bem longe, a ponto de não ouvir nada
Pessoas cantam, dançam,
Vivem o carnaval
Sonham e sorriem
O instante, um recorte
Volúvel, o tempo que escorre
Na vida sem fim.
Noite adentro, calmaria.
As estrelas se esconderam
Para a chegada da chuva prometida
Chamada pela sinfonia
E que abraça forte
Os foliões
Como também intimida sem querer
Os despossuídos, sem sombra ou abrigo,
Que ignorados todos os dias
Estão sempre na labuta
Tentando simplesmente - sobreviver.
Noite estranha, tempo vivo.
O instante é um mistério,
E a luz do silêncio
Nos faz perceber
Que em meio às dores e contradições
Ainda é importante amar
Sonhar, querer plenamente ousar e viver.
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