Afetuosidade
As trevas lá fora
Dançam em silêncio.
Não rio, nem choro:
Já não sei o que ou o quanto sinto,
Quem sou, ou o que fui.
Lá fora as cigarras
Esperam a chuva
Que insiste em vir furtiva
Na madrugada.
A vida habita e segue
Nas margens do silêncio
À sombra do tempo que passa
E que hoje nada diz.
Ah, como eu queria
Amar me sentindo alegre
O cheiro de uma simples flor
Sorrir mesmo com o tempo esguio
Olhar a Lua sem medo do frio,
Dormir e acordar com algo sincero
Cheio de entregas, obstáculos, medo e paixão,
Divagando nos meandros de um olhar,
Trilhando o caminho para algo concreto
Um dengo, um afeto
Realmente maduro para o meu coração.
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