Resoluto e Sossegado
Tudo é silêncio.
A noite é fria sem um abraço.
E eis que as lembranças me atordoam,
Me deixam estupefato,
Numa aparente insensibilidade
Que me fere.
Sempre fui errado
Mesmo tentando fazer o certo.
O natal vem perto...
Quem sabe o amor a dois não seja o meu amor.
Quem sabe eu sempre estive errado em querer
E nunca amei alguém,
Só tentei me perder
Num emaranhado de paixões
Com várias faces de um ninguém.
Talvez toda a intensidade
Tenha sido apenas meu lado ingênuo
Que achava bonito a solidez romântica
E viu ruir dia a dia
Os sonhos diante da realidade eminente.
Mas, se nunca amei,
Sendo o rei do gelo
Sem com ele conviver
Ou dele gostar,
Tão bem fingi que eu
- Tão sonhador que sou -
Sempre deixei um tanto
De mim em cada relação
Em cada gesto, olhar, verso, cor ou objeto
E, se nunca amei,
Tampouco fui amado,
E se eu sou alguém
Que não merece uma simples amizade
- Posto que não amo,
E não me porto como objeto
Ao bel prazer de quem bem desejar -
Também sou alguém que, no desapego da distância,
Dorme todas as noites
Um sono resoluto e sossegado,
Ainda que no silêncio das horas
Quisesse um dengo,
Um alguém igual e diferente
Seguindo para sempre ao meu lado.
Parabéns pelo poema . Alex Santos
ResponderExcluirMuito Obrigado, Alex. Fico contente com sua participação aqui.
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