Recôndito
Sou poeta
Mas também um homem comum.
Não sou bonito por fora:
Um tanto de poros no rosto,
O aspecto austero,
Mesmo não sendo sério
Ao longo de quase todo o dia.
Talvez seja bonito por dentro:
E ainda assim tenho dúvidas...
E ainda assim me assusta
Não saber até hoje
Se de fato já amei alguém.
Eu sou uma sombra em silencio
Alguém que escreve
E fora a escrita
Não se manifesta
Se esconde em si...
Eu sou o que posso ser
Alguém dessemelhante
Do suposto revolucionário que era há um tempo
Do romântico incorrigível
Do sujeito que combatia a religião
E que expunha o que pensava
Sem pensar tanto.
Talvez seja um hipócrita...
E no entanto
Só queria amar alguém sem muito medo
Sem tanta leveza, numa entrega consciente
Um amor discreto e sutil
Um sentir cotidiano e diferente...
Mas não sei se para mim
Esse amor existe
E se um dia, num sorriso,
Entenderei seu querer sincero e independente.
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