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Mostrando postagens de setembro, 2018

O despertar

Ontem o sol veio ao encontro De um povo firme e decidido, Desperto e há muito esquecido Mas firme como o azul do céu. Vi uma multidão infinita. Linda passeata de amor... Palavras e gestos sinceros. Detive o tempo no olhar abstrato E encontrei a luz que guiará o país. O tempo e os gestos constroem Um mundo novo e fraterno, O novo momento que espero Para afastar o passado. Momento de amor e comunhão, Em que uníssona, a multidão Deixou o seu recado : Ele não.

Ao Léu

Ao léu joguei os vestígios de amor, Procurando o espelho dos sonhos Que destoam dos velhos tempos, Quando um sorriso bastava para o ano inteiro. Se o sol brilha tanto, E eu - agora - me escondo, Caberia ao tempo refazer os caminhos? Sigo as horas vazias, e a noite voraz; Ouço vozes das ruas, Vento correndo, mundo sem fim. Meu amor se perdeu Nas palavras sinceras, Foi o fim das quimeras Dessas noites mal dormidas Que ainda me afligem Enquanto sussurro ao silêncio O receio de um novo horizonte.

Horizonte no Tempo

A árvore seca, firme e sem folhas Aguarda o tempo das flores azuis. O vento pusilânime enfrenta As horas de silêncio e quebranto. Sussurro às hordas do tempo Saudades dos sonhos de outrora. Não deixo a serenidade escapar Mesmo que as dores flutuem no espaço... E deixo o sol encontrar-me no dia, Caminhando sob o dia anil.

Ella

A tez branca e suave. Nariz fino e preciso. As formas dinâmicas, curvas. A fala sincera, doida. Observo a cansada expressão no teu rosto. Quis encontrar aqueles defeitos Que fossem além da tua tristeza. Mas paro - quase calo- e ouço, Captando cada palavra, E encantado com a força das palavras, Suspiro ao te contemplar Enquanto o crepúsculo vem com a noite vazia.

Serenata do Tempo

O silêncio do campo limpo Enche de sons os espelhos d'água. Flores suspensas em longos galhos Ditam ao sol o ritmo do seu brilho. Rutilam vozes ao longe, suaves. As horas banham o campo de silêncio. O azul do céu mergulha no espaço As cores irmãs das águas na Terra. As flores solitárias rutilam o campo... As horas banham os espelhos d'água... O sol enche de sons os longos galhos. O azul do céu mergulha no sol... As cores e horas rutilam o silêncio, E ditam aos galhos as vozes nas águas.

Balsa

O estresse e o atraso. O sono e o medo. As horas balançam como balsa no mar. Sutis ventos sobraçam o percurso, Desviam os sustos no tempo. Pessoas, cheiro de fuligem. Combustível sendo gasto. Barulho, embarcação cheia. Ansiedade e disposição pra chegar. Ao longe as palmeiras,  e avante também. Ao redor,  ilhotas desertas. E à frente, as paixões das pessoas... Rumo às terras dos seus amores e encantos.

Anágua

Formas retangulares. O espaço fechado. O ar controlado. As horas lentas. E pernas cansadas. Sono em frente ao computador. Sempre em frente caminho, Sem medo do teu espectro. Meço os passos do desencanto, Deixo o dia passar lento e calmo. Olhos diversos em distintas direções. Os teus surgem como lua esquecida Nos meus sonhos inversos Ou nas taciturnas contemplações Da noite longa, limpa e fria. Teu olhar enigmático não surpreende O meu coração conhecedor desses caminhos. Vaga o tempo, mas não as lembranças, Enquanto sigo - sincero e tranquilo.

As Luzes e Sons

As luzes e vozes. Tons claros de festa Rutilam na terça feira. Os olhos cansados E as mãos desgastadas Arrefecem em torpor, Vendo as saias que rodam, Os sorrisos alegres, O ritmo certo e enxuto Que sai dos tambores azuis. E nas mesas muitas cervejas, E no meu olhar - certezas; E nos ruídos - correntes de uma noite senil. E nas canções tristeza, Enquanto sonhos diversos Socorrem os versos Desse tempo largado - de luzes e sons.

Os fios do medo

O tempo trepidante Obscurece os caminhos. Esquece as horas tortas, Perfuma o absinto. Sigo sozinho há longo tempo, Sem luz ou trevas, mas só E tranquilo - deixando os sonhos Da torre seca, voando alto Sem asas ou balão. Hoje topei com o medo assombrado, A lua sem luar, canção sem ritmo, Sufoco seguido de sorrisos marcados, A velha ilusão desgastada e sutil. Socorro sozinho os passos vazios, Buscando no seguido caminhar A resposta dos sonhos E dos meus impropérios.

Apenas meu

Bato os tambores que exorcizam Teu olhar de água lânguido, flácido, Enquanto sinto milhões de sóis Brilharem sozinhos na imensidão. Ouço o toque suave das folhas Que encobrem o chão avermelhado, Toco o vento inclemente do teu desamparo, Consolo as horas com palavras incertas. O tempo  contra todos Divaga no espaço indeciso, Confrontando o passado vivido Com os sonhos que nunca foram vistos. Ponho os pés na areia. Nada tenho de teu. Apenas o medo e o silêncio Transcendem as fronteiras Do cansaço e da desesperança atroz...