Mário morava em um antigo sobrado na Rua da Estrela. Tinha cerca de quarenta anos, mas sua reclusão fazia-lhe parecer um pouco mais velho. Vivia só. Na sua casa, no entanto, não havia quaisquer indícios de desorganização. Amigos, não os tinha, tampouco desejava alguém que viesse zanzar nos seus ouvidos. Engana-se quem pensa que, a despeito disso tudo, ele era extremamente insatisfeito com a própria vida. Naquele sábado, abriu os olhos, havia acabado de ter um pesadelo. Pegou o relógio, na cômoda ao lado do espelho da cama. Já eram cinco e meia. Urgia levantar para buscar a sua filha. Tomou um rápido banho, preparou um pouco de café amargo, mastigou o pão de dois dias, escovou os dentes. Novamente, resolveu consultar o relógio, o qual estava - agora - no seu pulso. Ainda eram seis da manhã. "Joana ...