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Dia de Chuva

Não tive coragem de sair... A chuva caiu e me assustou Com os seus trovões tão estridentes Que nem a porta tentei abrir... Eu gosto do tempo assim... Tão calmo, quase silêncio... Às vezes o vizinho Aumenta o som E toca os bregas mais queridos De sua playlist popular. E eu tão calmo por estar em casa Já não vejo a rua tão altiva Mesmo com tanta gente Tantas vidas Transitando em várias direções...

Poema

São tantas lutas. Faz tanto frio às vezes. É tão quente em outros dias. A gente se sente só. Às vezes tudo parece oco. Parece que o chão não existe. E aí, as flores nascem lentamente... Desabrocham, Lagartas se tornam borboletas, Uma dor se torna um pontapé... E mesmo sem saber, Vamos passo a passo Trilhando, tateando, descobrindo Em conjunto ou sozinhos A ventura dum recomeço.

Vontade

Chove há horas... E vem uma vontade Tão forte, tão intensa De amar novamente, Lentamente, sem ter pressa... Amando como quem contempla O tempo correndo em seu ritmo... Sentindo como quem vai comendo Mingau pelas beiradas do prato E vai tão calmamente Aproveitando o seu sabor... Tão simples - talvez não seja, Não seja tão fácil o amor... Mas bem que eu queria sim Amar sem pressa e medo E encontrar em um sorriso A descoberta de um segredo E sentir de novo a alegria Tão cotidiana enfim De amar mais que querer Sem reservas -  Uma mulher tão real Que me encante E até assuste um pouquinho  Em toda sua verdade.

De pés no Chão

Olhando para o chão Ouvindo involuntariamente O brega que os vizinhos tanto amam, Vou me redescobrindo e lembrando de quem um dia fui... Mesmo sendo hoje Tão calado e solitário Gosto dos sons e ritmos frenéticos Me percebo existindo em meio a um mundo desconexo... E contemplo pouco o céu Tão ligado ao chão que piso Tão incerto e ao mesmo tempo tão firme... Contemplo o imprevisível Que surge a todo instante.

Algumas Noites

O cotidiano Às vezes aflige Às vezes impede Que o eu racional Se exponha e assome... Os dias transcorrem, O tempo discorre, As escolhas escorrem Passam pelas mãos... E algumas noites Me pego pensando No incerto futuro No medo daquilo que desconheço E vou adentrando horas inteiras Em algumas madrugadas cheias de reflexão...

Desde Aquele Dia

Algo em mim aconteceu... E eu não sei definir bem. Desde aquele dia, Me senti renascer Ao ver o teu rosto Banhado de luz e poesia. Sou um sujeito Que ainda se encanta Com histórias e sorrisos, E que caminha sem pressa Para tentar entender... E hoje, Assim como nos outros dias, Volta e meia você assoma Com a magia do teu olhar Em minha mente Sem que eu saiba ao certo Como isso aconteceu.

Lua Intensa

Lua intensa... Noite iluminada. Repleta de som e vida, Banha com luz a estrada. Lua intensa... Cheia como um sorriso, Baila com as estrelas Enquanto o planeta corre E pessoas vão trilhando Bordando o tempo Correndo com a vida Seguindo tão incertas, tão perdidas... Lua intensa e forte... Brilha por toda a noite Bela como um sorriso, Cheia de poesia, Transbordando de esplendor.

Ataren

Cachos louros... Repletos de histórias Recheados de sonhos - Intensos de anseios... As horas da noite Passaram ligeiro... Pude ser gente de novo Mesmo sem saber mais Fazer um simples convite. Talvez eu fale demais Ou fale pouco E encubra muito... O fato é que a noite correu, O riso se abriu, O medo na rua se escondeu, E não senti tanta aridez, Esse tom polido Com que me acostumo A ser tão calado E consequente até demais...

As Mãos

As mãos que fazem a farinha Da mandioca envelhecida São as mesmas mãos cansadas De gente que precisa ir longe Para encontrar um hospital mais ou menos Decente Ou uma escola menos precarizada... As mãos que fazem a farinha Conhecem o trabalho e a indiferença De quem tão longe Não conhece a labuta Não sabe o custo E simplesmente consome O seu produto Sem se ater à sua poesia...

Indiferente

Indiferente ao momento Indiferente aos contextos  Vou caminhando descontente, Vou me trilhando pelo avesso... Cansado de estar muito longe Dos sonhos que ainda almejo Vou escavando vontades Renovando velhos desejos... Os dias correm intensos. E mesmo assim, não me sinto Tão forte e produtivo Quanto em meu tempo sem medo... Saudade da velha casa. Da poesia espalhada Em cada canto, parede... Na velha casa deixada Na Ilha onde me encontro Quando nela lá estou. Perdido nesse lugar Onde cresci e não faz Sentido permanecer, A ignorância é atroz E o medo de me perder De mim próprio  É intenso - errático, como bicho feroz...