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E se...

Se todo o amor prosperasse, Quem hoje eu seria? Quais passos teria dado, Que versos teria escritos. Quais medos teria perdido, Quais sorrisos teria dado, Quantas vezes teria sorrido, E outras (quantas?) teria chorado? Se todo o amor prosperasse, Qual seria o aprendizado? Como estaria o meu olhar Frente ao mundo real, Duro, desordenado? Se todo o amor prosperasse, É certo, Talvez da fé que nele tinha Não houvesse me desviado... Se todo o amor prosperasse, Já não importa... Todo um amor que se viu Já não se sabe Se esvaiu como brisa de uma hora Ou se espera novos rostos Outras histórias Nas quais talvez faça sentido Pensar em todo o amor Ainda não visto e plenamente realizado...

Não Preciso Que Me Compreendam

Não entendo           Quem não compreende A sensibilidade no toque, Nas palavras, Quem não percebe que no silêncio  Vou reconstruindo O meu espaço... Não me surpreendo      Que com tanto tempo Pouco se tenha mudado. Não sou eu a dizer. Tampouco, posso julgar... Além de toda a incompreensão Sigo indiferente... Árido, calmo,   Sincero em silêncio. No ritmo do tempo Vou crescendo      Sem alarde, solitário, suave e intenso...

O tempo inteiro...

Era ela E eu não entendi Não notei Que os versos não eram Tão aleatórios Quanto pensei. Eram gestos Distantes Dispersos Era o som da sua voz Que eu seguia. Nunca fui de buscar seu sorriso Mesmo quando, circunspecto Fitava Seus belos grandes olhos E sem saber Voava Apenas por te ver... E hoje... Na pressa No instante Notei Algo vazio Sentimento até então Preso na estante Que nem eu sabia  Do qual eu vivia Indiferente.

Já Não Me Engana

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Não me engana o amor... Não me enganam os risos, As bocas sussurrando aos ouvidos, Mil versos suspirando sonhos de ventura... É dura a vida, E doce a ilusão Que o sonho da metade inteira Nos contemple E acorrente os homens Sem cessar... Que faça verem a lua Com outro encanto. Que os torne tolos Tristes e inconsequentes Que repita as histórias E venha novamente Prometer aos incautos Velhas ilusões indolentes.

Sereno

Lá fora caem as gotas Descem a chuva E o medo de desassossegos. Cai o tempo e a solidão Tece o vento Um simples tom. Cantam os sapos Na noite calma. Tão intenso Meu pensar... Caem as gotas. Meu apego A não querer me apegar Só me afasta Aconselha Não me deixa imaginar O passado remendado. Guardo apenas o presente. Sigo atento Livre e calmo. Voa livre o amor Preso e solto No armário...

Pés na Areia

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Hoje pisei na areia molhada Banhada de mar Que vai e vem Sereno E traz a fugitiva brisa Que segue Sempre em frente... Passos, lembranças... Sussurros do vento. Ruído do mar. Paz A calma do tempo. Dia se pondo, E eu caminhando... Ao longe a floresta. O céu pouco azul. É a noite que chega Com a lua crescente Forte, resplandecente. É o tempo que corre. É a vida presente...

Dia 1

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É a luz E a sombra Dançando tão plenas Bordando poemas Fuçando o amor Que nasce com os dias Sem rompantes Sem musas Só contemplação... São olhos no tempo. É som Paisagem É a calma certeza Do novo instante... É o sol Arco íris apagado. É o contraste Que vem da chuva E o calor. 

Nasceu o Menino

Nasceu o menino... Como nascem tantos meninos. Em meio à pobreza, Humilde e triste nascer.  Sem sonhos ou documento. Sempre pronto para fugir Da fúria da opressão. Nasceu em meio a habitação  Dos bichos Onde não se sabe Não se viu Não se conhece O endereço da dignidade humana E respira a miséria Silenciosa que grita. Nasceu o menino E mal nascido Já teve de fugir Rumo ao exílio Rumo à liberdade Ao preconceito A indiferença... Nasceu o menino E nós esquecemos De tantas crianças Sofrendo nas ruas Mendigando pão Afeto, sorrisos E cortejamos A nossa moral cristã Que só lembra dos pobres Pontualmente Nessa vã caridade frágil Hipócrita e inconsequente...

Nublado

Seria eu Um passageiro do tempo Que esqueceu de seguir E vai traçando um roteiro Num círculo bem estreito E parece sempre dançar A mesma dança Sentir os mesmos ventos Beijar as mesmas lembranças... É tudo tão cruel Ou eu me faço assim... Vou sofrendo e... Onde estou? Onde havia a coragem, Há algo tão frágil. Um sonho com medo Desejo Onde um dia habitou  A certeza do querer. 

Quase Natal

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As palavras São curtas São tontas Dispersas Na noite Suaves Soturnas. É tudo tão claro Lá fora... As horas trafegam No jeito sutil. É o sonho que sonha A vida que assusta Celebra, contesta Sorri e assunta...