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Saudades de Caminhar a Esmo

  Estamos longe Em pontos extremos da cidade... Espero Enquanto aceno pro vento Que vai passando frio Debaixo da porta...   Anseio Pelo reencontro Atenuação das saudades Que vou acumulando a cada sábado Das rápidas horas Que partilhamos Alegres, quase insensíveis A tudo que nos rodeia... Caminhando a esmo Duas almas interligadas Sem razões ou certezas.

Encruzilhada

Dói o silêncio. Entrementes, quero a certeza Das sensações que a boca não diz Daquilo que os dedos não digitam Do que o coração sente, Quando os olhos buscam no teto escuro Na noite sem luar De motos e cães pelas ruas. Dói a aspereza Talvez não intencional, Mas firme. E vou deixando o tempo correr Descansar Do balaio de emoções Em silêncio, Tentando entender Ou melhor - acostumar Aquilo que parece iminente Quer o sol esteja nascendo ou não E vou deixando a porta aberta Pra saber  Onde ficou uma parte de mim...

Noite Silêncio

Esta noite é o silêncio Do teu sono Do vácuo que caminha até a manhã Das horas que operam devagar Do tempo que fiquei atento a outros fatos. Mais tarde você vem. Eu sei. Entendo o cansaço Mesmo que não o diga: Dorme bem Por hoje basta. Cachorros na rua Me lembram Que as horas vem passando Momentos São recortes que a gente deixa amontoados Até que num dia qualquer Tudo pode ficar no mesmo espaço Na mesma gaveta Protegidos pela mesma chave Que só usamos com plena certeza.

O Profeta da Revolução

Há oitenta anos tombou um homem Que acreditava na revolução. Um homem que lutou e sofreu, Sonhou com um mundo melhor. Bem cedo Um jovem judeu Ao marxismo aderiu. Na revolução acreditou, Idéias criou. Inimigos fez. O jovem Lev Davidovich não tardou Com suas idéias A encontrar o caminho da privação E na cadeia, do carcereiro O nome que iria consagrá-lo: Leon Trotsky, Fervoroso profeta, Comandante militar Teórico incansável Da revolução permanente Do crescimento desigual e combinado Que culminou na teoria posterior Do capitalismo tardio. Ao fim da vida Exilado, perseguido, Filhos e amigos perdidos, Pelo mando Pela ânsia de um perverso assassino Genocida, covarde e mesquinho O dito Josef Stalin Morreu o profeta da revolução Que sempre acreditou e não cedeu Às calúnias Aos desmandos E por fim recomendou a juventude Não desacreditar a vida E limpar de todo mal o mundo...

A Gente

Gosto de sorrir Quando encontro o teu sorriso Após uma conversa séria Sem as meias palavras. Te abraço imaginando Se um dia estaremos Olhando o sol no mesmo ângulo Dividindo a mesma casa. Às vezes não sei... Nem sei quanto sei sobre nós dois, Mas vou tecendo contigo Os detalhes Pequenos, sutis Pra que a gente não caia Na névoa da incompreensão. E assim vamos dando Pequenos passos Olhando pra frente Com as mãos dadas No toque direto Ou com os sentidos do que a gente não vê, Mas sente nas noites e dias De intenso ardor Alegres ou descontentes...

Hipocrisia

  Igrejas abraçadas à hordas de exterminadores. Clamando por vidas que não existem ainda Dizendo que é pecado abortar Quando o real delito É não dar abrigo Pão, escolhas A quem já está vivo, Olhar e fingir não ver Fazer pactos com o poder E se esquecer Ou antes lembrar Aos pobres que a sua penúria É uma cruz que precisam carregar E que só no diálogo Tudo pode melhorar. Mentirosos Entregam o povo Nas mãos do fascismo nascente O ovo da velha serpente Cruel e indiferente Do capitalismo que mente E mata todos os dias A nossa pobre gente.

Tateando

Tudo caminha Tateando Buscando acertar. E vamos criando novos passos. Espaços Contatos Saudades contadas Desejos mostrados. Gosto dela comigo. E ela também sorri Quando sorrio. Tem medo quando conto histórias... Parece até que já a conheço De muitos anos Ou outra vida. E assim nós vamos Tentando planos Nos encontrando Vivendo, sonhando Com o dia seguinte Enquanto estamos Descobrindo um ao outro Nos dias que transcorrem, Nascem, morrem E nos dão novas perspectivas.

Juntos

  Eu te quero a cada passo que dou... Vou me despindo Sendo mais real, Menos palavras por trás de um teclado.   Vou amostrando Minhas heranças: Gestos Jeito Histórias em seus contextos, Agindo sem tentar encobrir Meus erros e defeitos Querendo te mostrar As possibilidades no caminho.   E assim Nossas mãos Nossas bocas Nossos pés Perscrutam o melhor caminho Para dois que claramente Voam juntos em meio à multidão...

Tu vens com o tempo

O tempo vem caminhando. Tu vens cada vez mais. A noite é um tempo suave E o dia é pedregoso, concreto. É certo, porém Que aprendo Com os teus olhos E sorrisos bem abertos. Enquanto tu vens Aprendo o tempo Que corre No momento em que sigo Ao encontro dos teus olhos - faróis Que fazem do mundo O paraíso...

Gradientes

  Tons de iogurte Ou algo mais perto: É onde nasce tua diferença À primeira vista Tão simples e pequena Que vai crescendo Quando encontro teu sorriso.   A gente vai passando com as horas E quando vê - é noite Não demora Que nessa distância Nasçam pequenas saudades Irregulares de fato Mas nunca perdidas Na imensidão Daquilo que não sei definir...