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A forma de um sorriso

A doce menina Que preenche os meus dias É meiga, tímida, Tem medo de olhar nos olhos E encanta com seu toque doce. Nem parece Mas o tempo tem corrido Em meio à essa distância Que curiosamente nos deu motivos. E vou no silêncio das noites e dias De longas esperas Que pareço sufocar Espero te encontrar novamente Musa livre e consciente Pra que a gente de repente Possa caminhar Na direção do sol, Num fim de tarde no farol Na areia, ou na beira do mar.

Esperando a Gente

Já faz tempo que não te vejo. E mesmo assim, Sinto que caminhamos bem. Sem querer te prender A ponto de não saber A razão de querer Estar sem retroceder. Vou alimentando a saudade Saudável Que pouco dói E não machuca, Na espera do dia marcado Ou pelo menos esperado Por nossos sonhos Diretos, mais rápidos, Simples e práticos...

Eu e Você

Já vi o amor nascer algumas vezes. Nas mãos que conversavam Para além de olhares. Nas conversas longas Que atravessavam as horas, Sem pressa, sob impulsos Grandes, fortes, indefinidos. Vi o amor nascer Naquelas pequenas escolhas Que vão passando despercebidas, Até que a gente nota Que tudo vai acontecendo. Já o vi surgir da companhia presente Após o cansaço da espera ausente Em longos tempos de indefinível solidão. Vi o amor caminhando pelas ruas De todo tipo e modos. Mas também o vi morrer Em meio aos desencontros Nas palavras não ditas Em outras que não foram evitadas. Também o vi morrer Na espera ausente No estado descontente Na tristeza de não ser. E ao mesmo tempo Ele sempre deixa tudo lá Guardado nele e na gente. E é por isso que hoje Eu que já julguei Ter visto ele algumas vezes, Me coloco nos teus braços, Espero teu toque, Sustento meu olhar perante o teu. Pois de tanto ver Resolvi viver Sentir Estar com você.

Barbárie

Não precisamos de heróis. Tampouco de salvadores. Precisamos criar nossos caminhos, Ouvir nossos irmãos Das ruas Nas casas Nos nossos espaços. Não são economistas que irão salvar o povo. Nem os detentores de falhas fórmulas mágicas Que sempre prometem E frustram. Não é assim que o futuro se fará Melhor Menos turvo. Não é assim que a ganância terá freios. Também não é aceitando Tudo tal como se encontra. Nos comportam os Como a espécie que procura Aprecia O caminho da própria extinção.

Papel Alumínio

Tenho estado pensativo. Circunspecto, calado. Com saudade do toque de tuas mãos. Há palavras que não sei dizer. E há muita coisa para descobrir. Mas por enquanto você só precisa saber O quanto gosto de estar contigo, Pra aprender a crescer junto E ser O que sonho indica E o coração deseja.

Eu, Tu, Nós.

Ontem toquei nas tuas mãos... E assim, junto às minhas, Seguimos caminhando o pequeno vale. Tão leve teu toque, Tão sutil o jeito, Recuado olhar Que faz bater forte o peito. Me deixei envolver No teu singelo abraço, Esquecendo de tudo Enquanto o dia caminhava Impávido Rumo ao escuro Da noite aproximada. E por fim Depois de tanto tempo Olhei a noite Sem luar Mas intensa como os teus olhos Que me fazem sonhar...

Dedos, Noite e Silêncio

Dedos tocando o vento. A noite sem chuva avança Em espaços e silêncio, Não pressentindo mudanças. As horas estão calmas Como eu Tão torto Com esse silêncio Que não aflige E que até mesmo corrige O espaço das horas que se vão.

Sós

Sabemos que eu não sei Mas ontem pedi O teu cuidado A tua presença Para tempos de luz Dias de treva Noites de silêncio e euforia. Sabemos que é incerto O tempo As circunstâncias Mas quero estar perto Nas bem aventuranças Nas horas mais imprecisas Em que é preciso estar junto... E vou tentando acertar. Sei que vou errando aos poucos. E assim vamos encontrar As respostas Pouco a pouco...

Sem Saber

Nem sempre saberei o que falar. Em alguns momentos, preferirei O silêncio contemplativo Mesmo com o cansaço Que duas telas proporcionam. Não saberei agir certo a todo momento. Entrementes, quero ver se acerto O suficiente Para que me queira ao teu lado, Para que se sinta bem. Não saberei todos os dias Contar histórias como Sherazade Se bem que as dela não eram reais E eu trabalho com realidade. Mas se quiser Que eu caminhe Do teu lado Ainda sem saber aonde vamos Aqui estou Disposto, quieto e apaixonado, A tua resposta esperando.

Joelhos em Pescoços

Todos os dias Pessoas negras morrem. Quanto a isso, Já não surpreende. Surpreende o silêncio Quando pessoas são sufocadas Pisadas Espancadas Agredidas Até que o carrasco Em nome da Lei e da Ordem Extermine Ou - veja que complacente - Apenas intimide Quem nada fez, Apenas pecou Por ter nascido com a cor Que não é a do patrão ou presidente. É a cor do indigente, Das presas do turismo sexual, A cor dos detentos nas cadeias lotadas Sem esperança Justiça Ou oportunidades. É pra negar essa cor Que muita gente minimiza Joelhos em pescoços, E diz que é exagero Uma palavra de ordem. E é por essa cor Que o Brasil tem dado seus passos Construindo o futuro nesse instante, Mão de obra antes escrava, Agora escrava ou errante, Mas sempre confiante Que a vida vai melhorar. Não me venha com essas conversas De que negro é minoria. Olhe bem pro seu lado, Busque a genealogia, Deixe de criticarr quem luta Falando que é mimimi. Tire a bunda da cadeira, Pois a vida não é brincadeira E o camburão vem logo ali...