Postagens

Fim de Noite

A madrugada solta e serena Não machuca os pés cansados Nem as expectativas murchas. Corro em silêncio no escuro E vejo o céu transitivo Buscando o raio mais puro, Pro dia mais instintivo. Tento seguir sem o cansaço. Vou tropeçando no escuro... Reconhecendo o espaço, Descubro o que procuro. A noite segue sozinha rumo ao oriente distante, Enquanto mantenho o olhar fixo Na sóbria contemplação do distante azul no horizonte.

Olhos na Chuva

Um passo de cada vez Em meio à chuva intensa. Os olhos miram o chão Na noite espaçada e fria. Os olhos buscam o espelho Pros versos então oprimidos Lançarem à luz seus segredos, Deixando seu medo esquecido. O silêncio na noite chuvosa Traz ao clima o frio mais puro. Os minutos passam, As palavras se entrelaçam Num horizonte qualquer De incertezas internas.

Sigo

O dia seguiu veloz o seu rumo. Não quis perceber o tempo ao redor. Corri dos sonhos mais falsos E busquei a realidade diante dos meus olhos. Sigo devagar e sozinho, E pela primeira vez - isso faz bem. Deixo o tempo socorrer as mágoas restantes, Esquecendo a força dum instante, Intenso e profundo como  corda a romper. Sigo sozinho... Assim sempre foi. Estou tranquilo, o medo ficou pra trás. Ouço passos distantes de diversos caminhos... Ando sozinho, sem medo do futuro.

Tempo e Silêncio

O tempo passou ligeiro Enquanto o imponderável silêncio Foi deixado de lado, E sigo inseguro, ainda um tanto só... Queria que confiasse em mim. Mas sinto que o teu medo Vai além da minha boa vontade. Sigo devagar, sereno e sóbrio, Um tanto preocupado com o amanhã. O tempo correu impassível. E as horas incólumes Te roubam de mim, Deixando um vazio Onde haviam as esperanças, Alicerces dos sonhos que guardei.

O dia clemente

As horas caminham pacientes. O riso se tornou mais fácil... Os olhos correm seguindo as nuvens Que fazem uma curva rumo ao oeste. O dia parecia comum... Mas o tom das palavras usadas Deu a vida que tanto esperei. O silêncio hoje diz ao medo: Siga em frente,  e não volte atrás. Sigo o dia clemente De silêncios vivazes. Busco a forma dos sonhos Contemplando o céu, Encontrando nas nuvens as respostas incertas.

Ruas

As velhas ruas por onde passei Reclamam lembranças em cada recanto, Compondo o nada que um dia vivi, Seguindo sozinho no meio da noite inclemente. Sigo sozinho... permite o tempo Que o medo seja revolvido A um recanto de mágoas contidas... Deixo a bússola e permito aos sentidos buscarem o rumo de um novo caminho. Deixo o cansaço guardado na noite escura, E guardo o tempo à procura Dos meus sonhos há pouco guardados, Distante do medo que trava E impede nos sonhos a volta Do silêncio, constante mistério deixado pra trás.

Gotas

A chuva ditou meus passos. Seguem molhados em meio à campina. Deixo contida a velocidade dos sonhos. Meço os segundos,  à espera do descompasso no dia. Foge o mistério na sombra das nuvens. A noite cai em meio ao dia. Gotas de chuva agitam o silêncio Dos encharcados caminhos Percorridos no espaço... As nuvens guardam os segredos Pros dias em que o sol se impõe,  austero... Distante do mistério que foge,  sozinho, Criando o caminho contido que sigo.

Encanto

Passo horas a fio Namorando com o olhar a tua fronte, Distraída,  distante, Mais perto talvez dum outro horizonte... Sigo com o olhar teus contornos sutis. Rosas de amor nada dizem Quando vejo tuas formas bem feitas No mistério da carne que incita. Perco horas a fio Sem saber a razão de todo esse encanto. Procuro sinais nesse meu coração Que traduzam a certeza Dessa paixão contida Em palavras e gestos simples, Como rosas brancas em um dia anil.

Poetono

As águas do outono trouxeram o trovões E os ventos tempestuosos Como as ondas em alto mar. A poesia sentida em cada palavra que ouvi Trouxe aos meus modos um encanto De tudo que ainda não senti. O escuro da tarde trouxe ao momento A brusca serenidade do agora, Recanto onde mantenho meus segredos mais imponderáveis. A poesia do silêncio vivido Trouxe ao dia a paz prometida, Além de gratas surpresas, Aliadas a chuva no começo do outono.

A Saia

A longa saia balança com o vento. Tão cheia de graça, Mostra as suas pernas morenas e grossas, Símbolos da perfeição e do encanto Em que vivo... Voa a saia que gira com a força do vento Fazendo o vento rodar nas tuas pernas. Guardo no olhar o encanto Da percepção contida De tua forma querida Nos sonhos mais improváveis. Voa a saia que roda Da moça cheia de encantos, A dona do meu olhar incontido. A forma mais querida Dos meus improváveis sonhos.