Grito

É o osso, é a fome...
O estupro, o mercado
E sua mão invisível.

É o meu povo
Sofrendo com a enchente
E ainda recebendo a culpa
Por não ter o poder de escolha
Sobre onde vai morar...

É o escárnio
A boiada passando
São os pobres morrendo
É um descaso tamanho
É a regra da bala
Um fio de navalha
Nos sonhos dos que virão.

É o projeto de um futuro
Ainda mais desigual
No qual as pessoas
Pobres, pretas,
Sejam meras marionetes
Cujo único direito
Seja cumprir deveres
Esperando que a morte
Não venha
Na próxima batida
Da polícia
Da milícia
Ou de alguma facção...

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