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Mostrando postagens de março, 2022

Poema da Mente Inquieta

Não sei qualquer segredo. Não guardo intimidade. Parece tudo vazio Como velhos finais de amores após o fim da estação... Não sonho idéias tortas. Apenas utopias possíveis Palpáveis, modificáveis. Não me prendo a ideais inertes. Talvez por isso sorrisos Me encantem mais do que tamanhos Cores ou formas padrão... Sou um ser em construção Me desconstruindo e refeito Vou descobrindo o que mereço Querendo o amor simples e puro Sem meios gestos Sem ilusão...

Bilhete

Prometi a mim mesmo que não faria uma carta; Porém, cá estou eu, tentando explicar para a pessoa que fui há alguns anos, as vicissitudes daquilo a que vulgarmente denominamos - amor. Há muitos anos, eu acreditava na história perfeita: um amor sólido, o futuro a dois sendo costurado dia a dia. Quem sabe fosse, em parte, uma idealização absorvida nas obras literárias sobre as quais me debruçava desde o final da infância. A superproteção sob a qual me vi envolto até a maioridade, talvez tenha me alienado ainda mais de tudo que se situava ao redor de mim. Entrementes, olhando detidamente, esse é um detalhe que pouco importa. O que quero contar, minha cara lembrança, meu sincero reflexo de alguns anos atrás, é que as suas (nossas) experiências, em especial as frustrantes, te permitiram aprender a se desvencilhar do fatalismo, a acolher e respeitar a dor. Sobre aquela época, cerca de cinco anos atrás, você admirava a lua várias noites seguidas, e, nela, sempre distinguia formas, sorrisos, ca...

Ser - Poesia

Rabiscos... Palavras soltas. Verdade Onde habitam os sons e as vaidades, Enquanto rasgo Todo um céu de brigadeiro Com o áspero desencanto... São os versos Que me tornam livre Que me fazem alguém Neste enfado... É por eles Que me exponho E escondo... E por eles, transbordo A solidão que me faz bem, O alívio, A vida sendo vida de verdade.

Lama

É o chão de lama. O céu cinza. O clima fazendo promoção da chuva. E eu já não tenho medo De abraçar o que passou Entender o que vivi Tocar nas flores Beijar o ar Sem ter medo De mais nada Que já não possa mudar... É o som da chuva Que está prestes a cair. É a dor em poesia De não saber Onde habita aquele amor Que parecia existir em mim E no lugar do qual ficou a aridez Um pensar polido, Liso Como pedra ou sabão... É o som da lucidez Que me deixa pronto Para um mar de incertezas Incapaz de temer Novos versos e contextos Após anos com medo Dum passado que moldou. É a chuva. Vida. Escolha - o real destino. É o pensar, sorrir, Suave, sincero...

Crush

Tenho um crush por mulheres impossíveis... Mulheres que encantam Mesmo sem a gente conhecer Como se tudo fosse tão relativo À mera captação de suas imagens E o tempo parasse, e desse passagem A tanta beleza, a tantos sonhos... Tenho queda Por mulheres que lutam Pelo que precisam. Pelo que acreditam. Que não se escondem. Que sabem onde querem chegar. Crush ou queda... Não sei ao certo. Só sei que meu coração independente Por vezes suspira inconsequente Por uma imagem Um sorriso Aquilo que vier E for mais sensível Ao toque solitário de uma tela...

Mulheres

É ela quem acorda todo dia Pega uma condução cheia Apertada Correndo o risco de ser encoxada Desrespeitada, violada... É ela quem estuda à noite Após um dia cheio de trabalho. É ela quem também Enfrenta o assédio Em qualquer ambiente A qualquer instante. Ela é guerreira, Bem se vê... E faz tudo em casa Sem ajuda De quem quando muito Só se lembra De desejar um bom dia das mulheres... Ela é mãe Irmã Prima Tia Avó Sobrinha Amiga Companheira Ela é um horizonte Sem ter fim O caminho, a verdade O espaço O sonho e o desejo que se vê. É ela quem merece ser amada Nem tanto pela forma E sim por ser Esse encanto, essa poesia viva Que nos auxilia sempre A pensar e viver...

Grito

É o osso, é a fome... O estupro, o mercado E sua mão invisível. É o meu povo Sofrendo com a enchente E ainda recebendo a culpa Por não ter o poder de escolha Sobre onde vai morar... É o escárnio A boiada passando São os pobres morrendo É um descaso tamanho É a regra da bala Um fio de navalha Nos sonhos dos que virão. É o projeto de um futuro Ainda mais desigual No qual as pessoas Pobres, pretas, Sejam meras marionetes Cujo único direito Seja cumprir deveres Esperando que a morte Não venha Na próxima batida Da polícia Da milícia Ou de alguma facção...

Só a Chuva

Imagem
Muita gente tem medo. Da chuva e suas consequências. Eu já noto poesia Em cada gota que cai... Lava os sonhos desfigurados. Leva o silêncio de outrora As lembranças com cicatrizes Consistentes, impalpáveis... É a chuva - é o dia frio... É a poesia São sonhos caminhando sobre as águas Que correm intensas Deslizando firmes Levando a sujeira Trazendo esperança Espera suave e verdadeira Espaços de vida Que brotam no chão.  

O Pequeno Burguês

Eu vejo heróis de vídeo   Que nem falar sabem       Fabricados em série Como personagens de quadrinhos... Eu vejo gente com fome   E gente falando ter pena De gente que passa fome Em algum lugar inacessível... Eu vejo gente chorando          Com seus ódios pequeno burgueses Pacifismo tosco e omisso Hipócrita e desenhado. É essa gente   Que se diz preocupada Que tanto reverbera A necessidade     Duma mudança de rumo Com uma simples eleição Enquanto tem gente morrendo De fome De frio De abandono Em tantas esquinas À vista de pessoas Que choram por pessoas Distantes do seu cuidado Carentes de teto, afeto, pão...