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Mostrando postagens de agosto, 2019

Sobre Portos e Mísseis

São palavras ao vento que dizem Quando falam que defendem o povo. Pura retórica quando dizem: Estamos preocupados com o futuro do país. Cães traiçoeiros, quem lhes ensinou a covardia? O jeito sutil e manso, o olhar terno e comovido... Sempre dizem que são diferentes, Mas entregam o destino do seu povo Nas mãos dos impérios mundiais. Pra China se dá o Cajueiro... Olha que lindo... Em alguns anos mais um porto, Um novo símbolo da nossa dependência. Soja, soja, minério, e o povo minguando nas ruas da cidade, Como os migrantes ignorados e esquecidos. Alcântara fica com os ianques... A princesa dos olhos das potências mundiais Vira um apêndice da guerra e da violação Dos direitos de qualquer país... E mais uma vez, lavam as mãos. E demagogos dizem: nós apoiamos o desenvolvimento. A mesma conversa que nunca mudou de fato a vida da gente. E dizem : somos comunistas. Mas s...

Mais um poema da noite

Palavras assomam e fogem... A noite limpa e serena Caminha sutil no silêncio Das horas atônitas e sombrias. O sono assoma e foge... No meio da madrugada O silêncio que quase fala. Os olhos sem sono e exaustos. O tempo caminha tranquilo. As horas em simples compassos De tempos sempre limitados A cada segundo passado.

Claro

O silêncio na madrugada... A noite sutil não me assusta. Os olhos e ouvidos atentos Insones, pensativos e sós. O futuro sempre é incerto; Mas o medo é certeiro e sagaz, Como um dia de chuva em março, Como o sol pleno e forte em setembro... Navego sobre os sonhos e quase bloqueio O planejado trajeto construído por um ideal Pouco lembrado ao longo do tempo Por tantas noites quebradas ao meio. Olho o teto... Ouço o vento. O galo lá fora quase aponta um novo dia. Daqui a pouco os operários caminham. Os comerciários também. A labuta alienada não para. Isso aflige e sufoca. Fico à espera do novo dia, De suas histórias e possibilidades. Com sua exploração cotidiana Da vida e dos sonhos possíveis, Com o medo impróprio e antecipado Do futuro que não s e anuncia.

Híbrido

Tão claro quanto o dia O sonho se contrai Difuso como o arco iris Que surge ao longe E some em suas multicores. As horas transbordam em pesos De medos e compromissos, Incertezas e rupturas Num fluxo contínuo e certeiro Dos sonhos e inseguranças. Olho para o céu tão vazio. Ando tranquilo, deixo o ar invadir Os medos inconstantes Que acompanham o meu existir. Olho as árvores raras... Ao longe, cabelos talvez... Será uma miragem, Ou o medo do amor que pode Ter forma real e não um jeito Ou trejeito que mostre quem é? Não importa ao tempo que passa As formas... Pouco importam os sonhos jogados No mundo - lá fora. Fecho os olhos e sinto a força Das certezas que um dia guardei tentando ser feliz...

Bucólico

As folhas não caem das plantas... O dia levanta leve e calmo... As horas caminham sem pressa. O dia talvez seja azul. Relembro as tardes e manhãs À sombra de jambeiros esquecidos À margem de estradas estreitas e limpas Compostas de pedras e areia. Quem sabe a felicidade sempre estivesse ali... Mesmo com todas as dores do mundo, O dia talvez seja anil... A noite, estrelada e amiga. Os sonhos, menos intensos, Mais firmes e fiéis...