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Mostrando postagens de fevereiro, 2019

Retalhos

O frio invade a casa. Portas e janelas fechadas. Poucas e esparsas goteiras. A noite e o dia parecem iguais... Sussurro teu nome no escuro Ciente que - longe daqui- Nunca sentirá o desespero da minha voz. E vou observando as casas, a rua, as multidões. Tudo tão seco e igual. Talvez estivesse adormecido sem perceber Ou vi qualidades esquecidas nas pessoas Enquanto caminhava vagamente despreocupado, Talvez à margem da tua presença Ou no silêncio quase voraz dessa casa. Nada disso importa- pois basta a noite chegar Olho o teu número de telefone, Ocorre a ideia de te ligar. Logo me dissuado... Tudo o que pareceu sobrar, Na tua voz e talvez também no olhar Foi o ódio. E eu não quero alimentar isso. Queria recomeçar mais forte... Mas vejo meus sentimentos fluídos Sólidos com a tua distância, Querendo transbordar líquidos de dor Mas recuam, pois eu e eles Sabemos bem Que você quer se esq...

Volátil

A noite adentra mansa e sem pressa Sobre os telhados das casas. Por cima das cores e luzes. Sobreposta a toda e qualquer solidão. Vejo que o sentido de algum cuidado Pouco vale quando o tempo voraz e efêmero Atinge o clímax de atenção... Vejo que os momentos das longas conversas Não tem o valor de qualquer beijo roubado Em alguma esquina vazia da cidade. Estou em silêncio,  e todos estão sós. Tudo ao redor é calmo. Como a angústia,  o medo - a incerteza.

Contestável

Amor não é moeda de troca. É entrega lenta, insegura e fatal Marejada de buscas inoportunas No inócuo tempo das horas passadas Além de possíveis e alteráveis rompantes De medos e incertezas seguras, Vontades e segredos pairando pelo ar. As pessoas seguem seus rumos, Indiferentes a quase tudo. Se afastam - mas expõem o oculto, O amor a ser cultivado Vai sendo logo fotografado Sem raiz ou fervor... Enquanto outros mostram Aquilo que lhes faz bem, Eu oculto o quanto posso A gata manhosa e sutil Que encanta com seus gestos e palavras, Dando ao céu milhares de cores, E infinitos sabores aos sonhos E à imaginação.

Absorto

Os olhos voltados pro chão. As teclas batidas num ritmo frivolo e estridente. Não sei se penso - fico absorto a olhar pro chão. As dores que não sinto nalma Ao mesmo tempo silêncios de reflexões. Cortes.  Mistérios,  sorrisos,  tristezas. Dores que não se refletem No tempo da primavera. O silêncio das quimeras Absorve as horas calmas. E me junto à multidão Que só passa e não se vê Absorta nas horas frivolas, Sem sentimentos certos e definidos, Apenas indiferentes às dores d'alma que sentem...

Tempo Temporal

O temporal - quase dilúvio - faz tremer o chão. A luz da sala desliga Enquanto milhares de descargas elétricas Despontam no chão. As horas caminham sinceras. Como a chuva que está caindo Ou o sono volúvel à noite. O tempo sempre à frente Aponta caminhos e novos ajustes ou pensamentos A quem faz o seu rumo - calado e só.

Circunstâncias

Mantenho os pés firmes no chão. Olhos fitos no horizonte.  Calmo. O dia se afunila e a noite entra, Ligeira e risonha como criança. As horas calmas assustam. Caladas demais,  aborrecem. Caminham  lentas como velhos cansados. O horizonte molda a noite E afasta a lua das estrelas Deixando a escuridão romper O longo clarão do espaço na Terra. É tempo de coragem e calma. Amor e cuidado consigo. Tempo de cautela e descobertas. Tempo de caminhar sem medo do futuro, Rompendo o casulo de solidão.