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Mostrando postagens de janeiro, 2019

O Só

Os passos do só nas praças e parques Sugerem o medo, acompanham o olhar circunsp ecto , Anulam o passo cadenciado e simples, Apressam a fadiga do cotidiano acumulada. Caminha o só... Indiferente ou taciturno. Calado ou pensativo. Triste ou reservado. Nas praças e parques Segue o ritmo de um só.

Dispersos

Sem amores vãos.  Sem amarras. Livre, calmo, quase só.   Silêncio quase implacável. A noite adentra ligeiro E mais rápido passa. O teclado do computador gera os ruídos E confronta o escuro sem cor. Murmuro. Apenas para o meu pensamento. Adentro na miriade de medos e ansiedade. Aflito olho para os lados, olho o relógio. Onde está o sono? Se escondeu, mas a dor de cabeça pode ser que venha mais tarde. Os olhos no espelho vêem tantos poros Quango buracos na lua Nas noites em que está cheia. Os ouvidos não percebem O som das cigarras Ao redor da casa.

Ninguém solta o quê?

"Ninguém solta a mão de ninguém." Na prática, ninguém sequer encostou uma na outra.  Todos procuram se promover, Buscando respostas simples Frente à Hidra, que só cresce... Não é desmerecendo o  outro Que encontraremos o caminho. Nossos inimigos riem da gente. Comemoram as fraturas, Apoiam em silêncio a divisão. Os negros, mulheres e índios. Gays, lésbicas, bis e trans Também sofrem neste país. Pessoas pobres, com parcos salários, Convivendo com a miséria e o caos Morrem aos montes todos os dias. O que impede a unidade, afinal? A incapacidade de respeitar o outro Ou de baixar a guarda e ver Que ele é tão importante quanto eu? De sentir o que ele sente, dialogar, perceber... O sistema se alimenta da dispersão automática Que intelectuais e lideres iluminados Promovem em conluio com as mídias Jurando lutar por uma causa, Mas posando de heróis...

Atenção

Focos de atenção divergentes. Notícias aos montes. Palavras e fotos. Comentários e hashtags Enquanto o país queima e sofre. Bancos saqueados não só por ladrões De caixas e armas Mas por gente de bem Que há cinco séculos saqueia a nação E sempre diz aos pobres: Espere mais um pouco, A desigualdade é boa, Esperem o progresso Ou morram esperando a mudança dos céus. E como cordeiros em grupo Lá se vão memes e hashtags Como se a vida fosse A extensão das redes sociais.

Nós(?)

O vento sopra gentil. A chuva vem - é tão certa quanto um novo amanhecer. Sigo sereno, não quero te encontrar Enquanto os dias correm sem qualquer explicação. O tempo é gentil, sem trapaças. Hospeda as saudades lembradas Pra depois esquecer ao acaso... E quem sabe assim,  no marasmo da  história, No caminho inconstante e duro, A gente se encontre e saiba ao certo Em qual passo na vida nos perdemos E se reencontramos a resposta, Ou apenas fugimos no momento, Como sempre - para não mais lembrar.

Laico?

Deus criou o mundo em sete dias - diz a Bíblia. Quando a semana terminou, ele fatigado, descansou. E assim surgiram as suas (pretensas) )igrejas. E eis que agora elas se impõem, Assaltam o estado, saqueiam a justiça, Afastam a igualdade... Decretam-se maiores que as próprias escolas, Logo que seus fiéis passem legalmente A justificar ausências E esquecer compromissos. Mas ainda dizemos Que o estado é laico. Exceto nos ônibus Com seus vendedores obstinados Que recortam versículos Como quem tempera a carne. Exceto nos shows com apoio de governos Onde caros cantores que se afirmam de Deus (qual, afinal?) Cantam as mesmas canções Com arranjos diversos. Exceto nos púlpitos e nos órgãos de justiça Onde se vê esse mesmo Deus Crucificado, humilhado Por tanta gente má ou indiferente. Ousamos dizer que o estado é laico. Para isso, mente a nossa constituição. Mas somos todo...

Aqui Chegamos na nova nação

O país mudou o rumo. Afinal, em que ano estamos? Latifúndios cheiram a progresso, Impactante, sujo e grosseiro Como panos velhos cobertos de lama. Meninas de rosa, Meninos de azul. O verde é incógnita, Não são mais as árvores, E tampouco as verdinhas que os pobres não verão. Laranjas se guiam E movimentam caminhos Tenebrosos, obtusos Mas constantes destinos. Os índios enfim não tem mais terra. Afinal em 500 anos O homem branco decidiu que já era tudo dele. Desde sempre ofende, pisa Estrangula o negro, falso liberto, Mas eis que agora tem licença pra matar às claras, Sem repreensão ou registro do mal feito. Eis que os dias revelam O quanto a noite encobre Nesse pesadelo que desatina Sendo real, sincero e rotineiro.

Quem

Os homens que se dizem os donos do poder. Quem lhes concedeu o controle absoluto? Quem os constituiu como deuses no escuro? A mão invisível que tudo comanda? O povo enganado por anos a fio? Guias que vendem sonhos irreais Apenas para ter sempre mais dinheiro? O obscurantismo ascendeu. Agora, de que serve a verdade vazia,      [Quase em tom de revanche, Pelas redes sociais? Não estamos vivendo como devemos. Onde está a teoria, a luta, a garra... Em que ponto ficou a coragem professada Em jargões repetidos Como mantras nas ruas? Quem somos nós? Eis a hora da definição. A luta nem começou, Mas os embates não cessam Faça chuva ou sol, Chorando - ou não - de emoção o céu.