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Mostrando postagens de junho, 2018

Vinte e Três

Hoje a palavra que o tempo traz No descompasso dos gestos meus É a gratidão dos errôneos passos, Guia dos sonhos no largo espaço, No doce abraço que se perdeu. Sigo tranquilo - sonhando distante, No horizonte que se esqueceu. Amo as horas do tempo volante Que guiam as certezas que a vida nos deu. Busco nos beijos furtivos e ardentes Do abraço quente e sincero, O doce esmero de quem aprende Diariamente - a incrível fórmula do que é viver.

Visita

A tecla do teu desespero Destrói a beleza do nada. Vagueia o medo da noite À sombra dos sonhos mais limpidos. Deixaram as pedras do rio Um enlace de exíguas barreiras E desvanece um dia sereno De tolo silêncio guardado. Não sei se é amor que passeia E sorri traiçoeiro aos meus olhos espertos. Apenas espero no destempero do tempo Deixar bem aberta a porta da casa. Se vens,  amor, que o faça contente. Desfaça nas horas o fio da saudade, A felicidade da promessa que temos.

A Tua Presença

Miro o nulo silêncio da sala escura. Ouço passos tacirurnos Confrontando a rigidez do espaço. Guardo nos gestos discretos Os claros segredos de água, Que se esvaem sem definir O que trazem no tempo presente. Olho além das palavras E contemplo o teu fino semblante. Penso nessa boca e nas maçãs do teu rosto, Da irritação que provoca e seduz. Olhos de claras incógnitas Parecem pedras esquecidas No fundo de um baú recôndito. Não sei o que há em mim: Apenas gosto do teu enlace seguro E do mistério de compartilhar o tempo Sem saber o que será no meu confuso amanhã.

Selvagem

A noite entrou suave. As ondas intensas e distantes Trouxeram a brisa do Norte, Enquanto tua boca consorte Deu sentido ao meu anseio presente. Teus olhos inseguros de cetim São jóias que acompanham o meu sorriso bobo, Enquanto a areia confronte Dá aos corpos suados uma nova textura. Perco a noção de espaço e tempo No doce encontro com a tua boca sagaz, No ferino abraço de seu corpo esguio, Que me envolve em mechas de intenso prazer.

Transe

Gosto da solidão reprisada Nos momentos que me permito leves divagações. O tempo urge no silêncio da estrada. Bem longe, a noite tenebrosa se inclina... Pássaros levantam vôos rasos e simples Enquanto as palavras sibilam ligeiro Os impropérios do indecifrável destino, Amigo intenso - incerto,  insone e traiçoeiro. A flor do sertão brilha no gesto indiferente, Nos sonhos instáveis e omissos, No instante dos meus disparates, Ao fim de um dia qualquer.

Evolução

O tempo fagueiro encosta Nas horas do brilho fechado. O mundo segue o seu caos. Os homens atônitos mentem. As horas dos sonhos jogados No concreto do cotidiano Dão aos homens o doce do nada, Enquanto vivem a ilusão do ter. Contempla a noite nosso mundo estranho, De tenebrosas ambições ativas, Enquanto multidões à deriva Seguem rumo ao abate - descarte, Dos sonhos mais simples e claros.

O Dia

O dia correu fluido e suave. As horas ligeiras dos passos dispersos Rechearam o tempo de lembranças sutis, Junção de momentos num tempo vazio e sem embaraços. Corre o tempo sereno e alegre do dia. Vem a hora do encontro de amigos sinceros. O momento se faz como ponte no muro, Atravessa o silêncio e os medos da vida. Despe o medo e a mente de amigos sinceros. O silêncio recheia as respostas incertas De palavras trocadas na noite serena. Vejo o tempo mais puro clamando de novo Por caminhos nos quais os sonhos mais distantes Nos façam criar no silêncio do dia Novas histórias que o passado não poderá sentir.

Florada

Socorre o tempo incerto Teu cheiro no dia intrépido. As horas das flores que um dia lhe dei Completam o tempo do teu desamor. Ouço as vozes do vento oscilante Buscando horizontes na noite vazia. Vejo os espinhos dos cactos esquecidos E caminho com passos insólitos e firmes Rumo ao futuro que se inclina Novo e distante da certeza. Se há ventura, também o jugo Traz à vida o seu peso sincero. Prossigo sem espinhos ou rosas, Apenas certo de que as flores não amam as minhas mãos...