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Mostrando postagens de maio, 2018

(Re)construção

Caminho nas horas de vagas palavras, Mantendo em silêncio os passos tranquilos. Sem encarar a lua no céu imponente e suave. Levanto as horas sutis No descompasso da minha quimera. Ouço tranquilo o som que badala Com o teu silencioso afastamento de mármore. Tudo polido...  Palavras e gestos, Sigo tranquilo,  sem amor em anexo, Mantendo os passos suaves nas ruas E palavras- retalhos multi versos...

Divagações da noite anil

O encontro da lua com as nuvens escuras Enche a noite de nuances incertos. Dobra o céu diante do silêncio da praça. Segue o fluxo do tempo continuo e disperso. Deixei pra trás as horas de sonhos guarnecidos E quis buscar um sorriso tranquilo Do amor que perdi numa esquina qualquer... Beijei uma boca como o precipício Em meio a um dia tranquilo e linear. Perdi o tempo do teu sacrifício. Não vi o amor da tua quimera. Guardei sozinho o tempo vivido Sem saber se o beijo banal Foi o meu desperdício. Fico no escuro lembrando... O filme dos anos e das cicatrizes, Das horas de angústia e esperança, Da humanidade perdida em meio ao tolo querer.

Noite do Sonho

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Olho as estrelas do sonho Enquanto vejo no escuro da casa A nossa estrela brilhando Com o mundo novo Que ainda não nos permitiram viver. Olho a noite cansada Após um dia abrupto. Sinto teu corpo ao meu lado. Respira ofegante, Enquanto ficamos deitados no chão. Ouço as horas que correm ligeiro. Mas basta a mente estar ao teu lado, Me sinto inteiro Nos teus braços de fera contida, Sutil desejo do sonho mais calmo No doce recato do teu jeito bobo.

Ausente Confronto

A inércia toma conta Do silêncio de um país. Ouço vozes nos corredores e praças, Desarticuladas palavras, resmungos, Apatias bem comportadas. Tanques de guerra se põem Frente ao povo inerte Silenciado e temeroso, Que busca preservar a vida que não tem. Olho para os lados... Quem são meus companheiros, Quando todos procuram apenas estrelas E seguem sozinhos seus tortos caminhos? Nessa hora ninguém vê direita, esquerda ou coisa qualquer, Apenas covardia transpirando Pelos caminhos da nação. Traições, mentiras, discursos, E gente mendigando pão.

Á beira mar

À beira mar, Admirei taciturno o verde barrento Do encontro das águas. Andei sozinho,  caminhei sereno Enquanto a saudade em doses profundas Trouxe ao momento a leve sensação Das certezas que não tenho Nesse dia calmo e morno. Adivinho no descompasso das horas As calmas e sutis passagens Do tempo imponderável... Ouço na transição crepuscular Palavras distantes dos sonhos Que ainda não pensei para nós. Sigo tranquilo,  enquanto difuso O tempo galopa a trote curto, E a saudade expande em meio Ao silêncio da tarde fagueira E dos sonhos mais límpidos.

Falta

Divaga nesta noite vaporosa A mente com relances e recortes Em meio à noite clara e vazia. Hoje não há tua presença, Mas há teu cheiro Guardado criteriosamente Nos momentos de leve entrega Ao sentido verdadeiro De ser humano enquanto o tempo Nos prepara os seus momentos inevitáveis. Ouço o ronco de motores ao longe, E no entanto queria só o teu silêncio inconstante, Enquanto o sol e a lua distantes, Tímidos, esperam isolados Um novo momento para o seu reencontro.

Hora Marcada

Na hora marcada, Segui caminhando, buscando respostas, Tentando esperar uma presença de flor. Pisei no concreto E na cantaria desguarnecida Enquanto  o dia sereno Dava à noite o seu brilho. Noite suave de lua repartida, Trouxe doçura à velha rotina De aversão do sentir com vontade sincera. Vagam as horas da noite serena, Enquanto as lembranças da flor À luz da lua Trazem ao agora a doçura do momento.

Neste dia

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As águas do mar confluem tranquilas À beira da praia bela e vazia. O vento socorre o cansaço do dia, Enquanto contemplo a estática paisagem. Penso em ti no silêncio do vento. Sereno, desejo o nosso reencontro. Ouço o tempo sussurrando Em meio à luz do dia, O quanto as certezas que tenho Pouco significam Se caminho aqui em silêncio, Distante do teu olhar impreciso, Farol dos meus passos sinceros.

Flashbacks

O passo lento na rua deserta Impressiona meus ouvidos atônitos E mantém em alerta o inquieto olhar. Corre o tempo do meu embaraço, Enquanto ao longe cachorros Gritam em demasia À espera de um novo dia, Símbolo da incerteza e mistério. A mente navega em idéias serenas Socorrendo no tempo presente As vontades guardadas em pacotes Nesse tempo de concentração reclusa. Não penso em amores que nunca puderam ser. Apenas vivo o que posso, Quando deixam a porta aberta Com chave,  à minha espera. Enquanto isso,  ergo a cabeça e sigo, Com flores nas mãos E as cartas que ainda não entreguei Buscando no tempo oportuno As ações mais límpidas e certas.

Quadro da Noite

A noite vazia de significados Trouxe à insônia um tom mais sutil. Corre vazio o tempo inconstante Nas horas ligeiras desse silêncio incompleto. Mantenho o olhar furtivo em alerta Temendo o perigo do imprevisível. As horas ligeiras guardam mistérios No frio da noite que impõe o silêncio às ruas. Distantes latidos dão o contraste Do silêncio passivo e a sonoridade constante. Correm as horas da noite solitária. Deixa o tempo reviver seus mistérios, Enquanto fixo o olhar no teto, Imaginando horizontes desconexos.

Mais

As lembranças não correm Com o passo ligeiro Enquanto a cidade constrói em silêncio Suas verdades de asfalto e concreto, Logo que um dia de sol se anuncia. Guardo os segredos dos meus velhos laços, Hoje tão fartos de serem passado... Talvez o dia azul fosse tudo O que preciso para manter o meu mundo. O silêncio dos dias vem calmo e sereno. Senta ao meu lado, Repleto de cansaço e dúvidas, Sentado num lugar qualquer, Sem saber no que pensar. Apenas respiro e confronto o tempo. Dores já tive,  mas agora Tenho um escudo Silencioso e inconstante: A serenidade impera enquanto Faço dos momentos mosaico E das lembranças retalhos Pra onde não quero voltar.

Mãe

Cansaço a define. O tempo atravessa sobre o dia ligeiro. Tem a mente ocupada Com as dores dos filhos. Olhos profundos de fadiga, Repleta de amor no seu dia a dia. Ouve as dores de todos que cria. Chora em silêncio quando a vida tropeça. Ama os filhos - sem medo de nada Além do imprevisível futuro. Ouve as mágoas dos filhos errantes. Guarda as palavras que lhe são dirigidas Nos insanos momentos de ira dos filhos.

Passos, tempo e espaço

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O descompasso do relógio Deu ao dia um ritmo abstrato. Cronometrados passos no tempo e espaço. Escassa atenção aos rastros passados. Não tive medo do tempo veloz. Ouço o som do vento sussurrante. Noto no escuro o embaraço da noite, Sincera amiga do calmo silêncio. Noto o relógio,  descompassado No seu ritmo certo e simples. Vejo a luz do poste distante De todas as certezas que o tempo apresenta. Nada corre... Nem as pernas cansadas Do contato com as pedras de cantaria Nos dias de chuva e calor, Acostumadas ao ritmo dos dias.

Palavras Dispersas

As palavras cansadas socorrem A monotonia do dia esquecido. As horas distraem os passos Dispersos do teu desmantelo. Os olhos buscam os montes Como se nada houvesse abaixo Do nosso esquecido horizonte... Soterram medos sinceros As lembranças do teu reencontro. Cachos densos e esvoaçantes Trazem vida e sorrisos Às noites de luar sem estrelas, Doce certeza de um puro desejo.

Dezoito horas

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O céu esconde o azul Enquanto os tortos caminhos Das ruas esburacadas Trazem ao momento o contraste Enquanto o dia caminha Rumo à noite indecisa Com confusas palavras. Brotam bolas de algodão Do céu sem estrelas, Mas tranquilo e claro. Lembra que hoje guardo Lembranças sutis do que nunca fui, Falso retrato de uma pessoa feliz.

Suavidade

O barco balança sobre a turva espuma Das ondas profundas no alto mar... As horas flanam seguras Enquanto o sol enfeita o dia Brilhante como um girassol de fogo. O tempo aliena o medo Na travessia suave do mar. As horas caminham em silêncio, Flanando sobre as ondas do mar. Os olhos contemplam o horizonte Enquanto o silêncio inconstante Se desfaz na tarde serena. Enquanto o caminho é refeito, Espero com o tempo as palavras Do calmo reencontro da Ilha encantada.