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Vontade

 Não, ainda não amo ninguém... Porém, percebo em cada gesto, Todos os dias Que a falta de um contato Constante A ausência duma história de amor Vai moldando o jeito O sorriso... E já não me queixo disso Se bem que a lacuna De um sorriso e um olhar companheiros Tenham me deixado pensativo... No entanto, Como bom homem moderno, Afasto com um piparote Todo o aparato romântico E me fio no trabalho, No dia-a-dia, Nas lidas cotidianas.

Poema(s)

I Eu olho a noite sem brilho Tão bela e sorridente Ao som das cigarras e sapos Que, clássicos, cantam contentes As suas canções cotidianas. II Eu sinto a falta de beijos. Beijos e carícias de amor. Sinto falta do desejo, Essa intensa descoberta Do amor que se desenha Em tanta gente, lugares E que hoje desconheço, Enquanto sigo cabisbaixo Esperando encontrar A musa do meu universo imperfeito.

À Bela Morena

Ah, se a moça morena Me desse uma chance, Me desse espaço Me deixasse ser De fato importante Para a sua vida... Eu já não teria tantas dúvidas. Algumas respostas eu não buscaria... Eu olho o amor Transbordando em todos os cantos E eu próprio o respiro, Mesmo caminhando um tanto solitário. Se é negativa ou não A resposta Já deixo a porta aberta E já não me aflige Tanto a dúvida. Só deixo o tempo Lentamente transcorrer.

A Verdade

Não, a verdade não vence... É apenas uma brega escolha De bonitas palavras Escolhidas de modo conveniente Por quem de fato não se importa Com o destino de tanta gente... A vida cobra... Será mesmo? Ou seriam apenas esperanças Cômodas e indiferentes Frente à inação de quem Não consegue reagir às rasteiras recorrentes? A verdade, meus queridos, Nada vence... Sempre é contorcida, reeditada, encoberta, E vestida assim com o cinismo, Vagueia trôpega pela longa estrada...

Indiferente

Eu não sei onde está Em que esquina ficou Aquele amor tão sincero Que já não tenho certeza Se já conheci... Ásperos são os meus sentimentos Sobre muitas coisas externas a mim... Isso me assusta, fico inculcado, Talvez incerto, talvez covarde... O fato é que ando sozinho... Não me alongo em conversas com amigos. Alguém de fato os tem?... Contemplo as nuvens do dia claro, Admiro em silêncio o luar intenso E assim taciturno, evito gente, Evito desgastes.

Ela

Ah, se essa sereia Caísse na minha teia... Eu que sou tão quieto Calado, só observo E não sei dizer De forma objetiva O quanto essa mulher Com esse jeito Me enleia, cativa... Fogo, chama, labareda... Ela seria tudo isso E até mais em cada gesto A cada suspiro, transpiração... Ela é a poesia que falta Nas horas do meu dia Em cada estação...

História

Faço meus passos no conjunto de pedras... Batidas, esgarçadas, Firmemente ancoradas ao chão. Quanto passado em confronto Com tantos transeuntes indiferentes Que não percebem O passado em cada traço O açoite em cada beco A dor em cada espaço... E chove... Lavando o consciente esquecimento Irmão da indiferença com a qual vivemos Frente ao passado que se apresenta...

Plácido Rebuliço

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Plácidas águas, real sossego... Longe, Porém não tanto Os animais pastam sossegados... O dia está escuro. E faz calor... As nuvens anunciam A chuva que cairá a qualquer hora, Que não avisará quando chegar. O solo encharcado anuncia A vida escondida sob sua capa. E tudo nesse todo se completa, Como esse dia cinza Que mais tarde passará...

Para a Mulher Que Ainda Não Conheci

A chuva vem caindo serena... E o sereno me faz divagar... O que fui, quem eu sou, Já não são questionamentos importantes. Fui bordando algumas histórias Sempre acreditando Sempre esperando dar certo... E mesmo assim - após cada dor Uma reclusão... Após cada amor Uma desilusão Ou apenas o cansaço de tentar Mais uma vez... Não sei como será você, Quando vem, Onde está... Nem sei a sua estatura, Nem mesmo imaginar Como serão os olhos que um dia Poderão me hipnotizar... Mas sei que quando te ver, Quando enfim - te perceber Vou me redescobrir Ao encontrar com teu sorriso, Mil respostas hão de vir, O tempo novo soprará E um novo sol irá surgir.

Retrato

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O dia finda... Os raios solares Se ampliam e fecham o dia... É a hora das Ave Marias, Em que o passaredo sobrevoa, Alto e longe... E na lagoa Brilhando com o espectro solar Girinos vão nadando - e crescendo Vão dando cor e tom aos brejos próximos... Os mistos de floresta e campina Brilham com o verde intenso Desse verão Em que as águas caem tão generosas Que a vida sempre tenta surpreender.