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As Mãos

As mãos que fazem a farinha Da mandioca envelhecida São as mesmas mãos cansadas De gente que precisa ir longe Para encontrar um hospital mais ou menos Decente Ou uma escola menos precarizada... As mãos que fazem a farinha Conhecem o trabalho e a indiferença De quem tão longe Não conhece a labuta Não sabe o custo E simplesmente consome O seu produto Sem se ater à sua poesia...

Indiferente

Indiferente ao momento Indiferente aos contextos  Vou caminhando descontente, Vou me trilhando pelo avesso... Cansado de estar muito longe Dos sonhos que ainda almejo Vou escavando vontades Renovando velhos desejos... Os dias correm intensos. E mesmo assim, não me sinto Tão forte e produtivo Quanto em meu tempo sem medo... Saudade da velha casa. Da poesia espalhada Em cada canto, parede... Na velha casa deixada Na Ilha onde me encontro Quando nela lá estou. Perdido nesse lugar Onde cresci e não faz Sentido permanecer, A ignorância é atroz E o medo de me perder De mim próprio  É intenso - errático, como bicho feroz...

Chuva Curtinha de Primavera

Soa o som Dum vento frio Na primavera seca... Correm as nuvens Cortam o azul Segue o sol sem direção... Frio e intenso Como o amor... Esse é o clima que se impõe. Eis a vida que se expõe Ditando cores, tom e sabor...

Poema Post

Esconder o que viveu Não muda a história passada... Só permite fazer Uma curva presente Refazer desfazendo Um caminho, uma rota... Já faz tanto tempo Que o sol se punha Quase lilás Perto da cor de um sorriso envergonhado... Já fazem uns anos (Que tempo bom!) Da velha poesia Aquela do lirismo - Tão clássico que oprime... Já faz um tempo... Já faz lembranças Já faz sorrisos Já faz certezas No horizonte Que a vida mostra Que o sonho sonha E a esperança ri...

Poema

Tenho andado mais completo. E só caminhando percebi A vida bem além dos espinhos a cor, a poesia a sorrir... Tenho estado mais tranquilo. Há muito tempo esqueci Que bem além de uma resposta Tento buscar o que perdi. Nem todo dia será tão calmo. O tempo todo é incerto assim. Nas coisas miúdas, no dia a dia Vou sorrindo aos poucos Gostando bem do que senti.

Sério e Sereno

Bem devagar Vou caminhando. Meço os passos com incerteza. Cato sorrisos que vou ganhando Pelo deboche ou delicadeza. Já não me sinto tão, tão sensível Quanto já fui, quanto me vejo... Há quantas luas Não noto a lua... Refaço o passo, vou pelo avesso. Bem devagar Amadureço. A vida é luta - bem pelo avesso... Já não me escondo, Já desconheço Os passos onde me escondi. Vou caminhando No descompasso Com a calma simples De um solitário Catando sonhos em pedacinhos Guardando risos bem parcelados Sério e sereno - estou assim...

Consciência

A madrugada vai chegando ao fim. E eu acordei antes dos galos Tentando respirar poesia... A cada dia sei menos Sobre o amor, sobre a gente. Ando isolado, descontente, Sozinho a ponto de ser inconsequente... A madrugada vai chegando ao fim... Porém as luzes amarelas da rua ainda estão ligadas. Eu penso em você Que era tão foda pra mim E que hoje é mais uma desconhecida comum Se por acaso um dia esbarrar contigo Na multidão... A madrugada vai chegando ao fim... A minha melancolia amplifica. Não sei o que são abraços há anos. E há anos vejo que a ilusão de criança Acerca da riqueza Não cabe no adulto consciente que sou. A madrugada vai chegando ao fim... O dia nasce ao som dos galos Cantando na periferia Seguindo o fluxo do tempo Em seus instantes de poesia.

Poema sem Amor n°...

Os dias se passam. A primavera chegou novamente. Meus versos se escondem. Já não sei falar de amor... O tempo acelera, E eu sigo, sem saber afinal Onde embarcaram alguns sonhos, Enquanto vou caminhando sério E enrijecido pelo cotidiano Que se apresenta feroz...

Cotidiano

As horas se atravessam E os dias seguem clementes com eles mesmos. Dias de correria, Dias de poesia escassa... Não sei em que estirão da estrada Eu visto a coragem E enfrento Pequenos desafios monstruosos Que o cotidiano me impõe. Encontro a suavidade No seu tom de pele morena Que contemplo. De longe E ao longe A poesia sorri com o encanto.

Domingo

Domingo Passou tão veloz Que quando o notei Já era agora à noite. É a hora das cigarras. O som da poesia Do mundo natural lá fora. O tempo passou bem depressa Mas eu não me apresso ansioso. É apenas a poesia que vive Sutilmente rondando as escolhas. E o encanto de estar só E estar pronto Para uma história de amor...