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Domingo

Domingo Passou tão veloz Que quando o notei Já era agora à noite. É a hora das cigarras. O som da poesia Do mundo natural lá fora. O tempo passou bem depressa Mas eu não me apresso ansioso. É apenas a poesia que vive Sutilmente rondando as escolhas. E o encanto de estar só E estar pronto Para uma história de amor...

Poema

Hoje não foi enfadonho. Pareço ter algum sentido Quando estou trabalhando, Quando não me sinto deslocado Sendo um poeta cansado De tanto esperar o tempo... O tempo corrido a contento. A vida mais nítida, dinâmica. Os dias caminham azuis. Aqui e ali, uma chuva. E o sol não dói tanto, A poesia vem sem pretensões, E faço as pazes Com o meu cansaço criativo, Ocioso tempo de coisas preciosas.

Trotsky

O profeta da revolução Ainda hoje clama aos quatro ventos A necessidade da organização Que supere os simples movimentos E ajude os trabalhadores A lutarem incansavelmente Pelo pão, os sonhos e a vida plena Que se tornam impossiveis sob a ditadura do capital Enfrentando o discurso hegemônico De que a história é essa Tal qual a conhecemos... O profeta da revolução Previu o fracasso Gerado pela contrarrevolução Ainda hoje negado Por falsos comunistas Fãs de uma figura personalista Com requintes totalitários e pequeno burgueses... Foi o mesmo que lutou pela diversidade Na família, na sociedade Por um mundo justo e igual. Não foi tratado como herói, Pois que os heróis retratados ainda são mera ilusão Produtos de filme ou então Algum mero figurão Ou capacho benquisto... Trotsky, tão perseguido, Caluniado, acuado, afastado Foi covardemente silenciado Quando tanto tinha a contribuir. Nós que o seguimos ainda hoje Só podemos lutar Para esse mundo inteiro Reconstruir Revolucionar...

O Povo

O abraço ao burguês Não é expressão de liberdade, Não simboliza a busca por igualdade, Nem dá a garantia do pão... Eu vejo tantos crápulas Caracterizados como cidadãos de bem Falando em Deus, pátria e família Para justificar a fome E o esquadrão da morte Que assola o campo E as periferias Em nome do lucro E da escravidão legalizada... Que fiquem todos com seus mitos E salvadores da pátria, Heróis mais inócuos que bonecos de plástico. Se percam em suas loucuras, Pois ao trabalhador Resta apenas a luta Concreta, demasiado real e dura Sem qualquer ilusão de paz.

Poema Natural

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As folhas secas no chão... O sol se põe... A noite vem e desenha A superfície da terra Onde trafegam Cobras e lagartos E desabrocham flores e espinhos.

Um Sábado Aleatório

As flores desabrocham... A vida em silêncio trafega Como trafega tanta gente À noite nas estradas Nem sempre com boas intenções... A lua já não está cheia. Porém a noite não está tão escura. É a vida, o som dos grilos No pós chuva, É o tom da poesia atravessando o tempo. As flores desabrocham... É a vida que desenha lentamente Novos contornos Novas histórias após a chuva...

🌒 Cheia na Meia Noite

A lua anda tão cheia essa noite Que meu olhar se foca Em contemplá-la, Tão plena, tão segura Na noite tão clara e tão sutil. Agora é meia noite e meia E lá fora Cachorros latem E se assustam Com vultos, ventos, Sons e movimentos De pequenos grilos, aves ou morcegos... É um horário tão tranquilo Que assusta... Horário de insônia, Sono incerto. É o meu olhar em frente a uma tela, É o céu azul lá fora Que parece quase um dia Para os larápios Caminharem sob a luz do luar...

Inverno Solar

O sol vem mais perto... Vem sem pressa. O sol ainda frio na manhã. O tempo quase quieto, O vento frágil, modesto... É um dia tão comum, E no entanto, Parece tão estranho... O vento se arrastando Entre o verde da folhagem. É um dia que trafega lentamente Como teu vago olhar Povoando as minhas recordações. É o inverno solar, É a poesia à mostra Quase sem querer...

Poema para um amigo ausente

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Já fazem dois dias... E eu ainda não sei Como enfrentar a vida Sem o teu contato diário. Ainda não sei Como enfrentar tantas tempestades Sem te abraçar forte E me acalmar um pouco... Por trás do teu olhar Que parecia tão feroz Havia uma doçura Um amor tão certo e filial... Que já não sei se ao longo Do caminho Essa dor em algum momento Dará espaço a novas esperanças Na luz de novos dias... Só sei que te agradeço. Nem sei se eu mereço Todo o amor que de ti ganhei... São Luís, 31 de julho de 2022.

Poema sem Poesia

Nem sempre tenho as palavras certas. Desde que parei de escrever cartas, Desde que me perdi tentando esquecer... Há tantas noites não fito a lua... Fico sorrindo com coisas bobas, E mesmo assim, noto Que sigo indiferente Como se o sentir de fato Já não fizesse mais sentido... E é tão estranho. Eu já não sou O que conheço, Já não sei o que já fui Mesmo sabendo os passos Que dei. Há tantas noites não fito a lua... Há tantos dias não percebo a rua Com suas histórias que vão e vem.