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06:00 PM

À hora das Ave Marias, Quando o sol já se pôs E o dia se esconde, Contemplo o farol As ilhas Sinto o cheiro do mar Que bate as ondas suavemente, Num ritmo singular e clamoroso Cadenciado e urgente... À hora das Ave Marias Nuvens escuras diluídas Abrem o caminho pras estrelas Que surgem tão pequeninas Carregam o vento frio Que vem e me abraça pleno. À hora das Ave Marias Se esvai uma ponta de amor Que agora se perde como botão Ou tarde ao pôr do sol À beira de cheias praias Onde um dia algum amor pisou, E as lembranças, mentindo, (Ou fui eu quem menti?) Deixaram sobreviver Até que hoje Na hora das Ave Marias O vento as levou e me disse Que o tempo novo chegou.

Minguante

A lua vai sumindo... Noite a noite, Cobre a névoa, O vento Mudam o tom e a direção... Vou trilhando espaços Sem tempo Para o pra sempre Que não se sabe Que não se viu... Só sei do agora E sem aquele amor Pareço apenas Um olhar que contempla E se basta Com seus desejos Sem muitas paixões... A lua minguou... E com ela, não sei Foi boa parte do amor Verdadeiro - ou assim o imaginei Ficando a doce indiferença E as densas horas De ventos frios e intensos...

Cheia

Sem vento... Só a noite E uma lua grande Indiferente Que afaga sem dizer... É tempo sem espera É cor e poesia É a lua que atropela A noite escura e vazia. Sou eu que já não amo Como quem ama só... Na noite sem estrelas É só a lua cheia Quem dá o tom O jeito A poesia...

A Lua Ontem

Ontem vi a Lua... Rainha de tanto amor Ou seria de ilusões Que se desvaneceram rapidamente? Ontem vi a Lua... E já não era imperiosa Já não tinha o mesmo brilho Já não mais... Ontem vi a Lua... Mas já sou tão calejado Que não naveguei em lembranças Apenas a vi E nada mais...

Poeminha

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Corri tanto Hoje não corro. Já deixei tanto Que já não deixo A minha vida Por vagos beijos. Eu já não fujo Já não finjo Só vou sendo Sem pressa Sincero e atento...

Gatos

Gato.   Palavra que traduz amor Afeto que transborda no olhar Sincero tempo de contemplação. Amo os bichanos Como se o mundo repousasse em suas patas. Neles confio Como se crianças fossem: Crianças travessas Afoitas Sinceras... Conversamos: Eu com murmúrios, eles miando E o tempo sempre parece pouco Por tanto encanto Para tanto amor... Já não imagino Meu mundo sem esses bichinhos Que refletem o amor Tal como o imagino.

Escolhas

Segurei as minhas rédeas... Aposentei florais impulsos E já me vejo expulso De lugares sem o ser. Vivo passo a passo. Já sem pressa, Vou criando mil espaços, Vou tentando aprender... Bate o vento [Eu tranco a porta Já não sei qualquer resposta, Quero apenas conhecer Meus limites, meus fracassos, Os sonhos e fortes laços       A vontade de crescer... Banir de vez o adolescente  Que do nada - de repente Chega meio indiferente Quer um tanto tardiamente       Ressurgir e reviver.]

Pra Sempre

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Todo pra sempre É apenas por um tempo Curto como a flor das onze horas Como promessas de amor juvenil Como o rio sempre novo A todo instante... Como já dizia Uma velha intuição: O pra sempre é o agora E a lembrança que ficar Escondida na gaveta À espera de um dia simples Pra sempre Sempre vivendo Um novo dia - pra sempre...

Poema

Tanto por fazer... Tempo pra buscar. Miro o amanhecer Já esperando O sol se afastar Por trás daquele morro E vir a lua A maré Dar tom e toque À noite Ao vento Que me traz um leve frio Sutil como sorriso Doce como um sonho bom...

Emaranhados

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É o dia que finda. É o vento que esconde Seu impulso mais forte... É o tempo que assusta São as horas que correm. É o verso que aflige. O descaso que foge. São as lembranças que esculpem Meu diário de descaminhos Recomeços Remendos que vão se bordando Na estrada incerta de espinhos.