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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Escrever

Sempre me preocupo com a forma. A forma com que escrevo E disponho sutilmente cada palavra. A forma com que noto e exponho Sonhos e vulnerabilidades. Não me importa Quem escreve mais bonito, Como dita as palavras, Como explica cada ponto. Bordo as palavras Mergulhando em mim mesmo, Buscando respostas ou fazendo perguntas, Usando um dom que a mim se apresentou. E assim, nem percebo tanto... Vou tecendo histórias, Rompendo meus meios silêncios, Amando a solitude da escrita, Escrevendo a cada dia Como se ainda fosse o primeiro.

Caminho

Caminho tranquilo. Caminho sozinho. O peso das escolhas Já não me aflige e machuca tanto. Caminho pensativo, Não tão machucado Quanto estive outrora. Já dou leves passos, Olho para os lados, Mesmo calado e compenetrado. Caminho silente. Caminho esperançoso. Já não caminho só, Mesmo sozinho. Me percebo em meio à multidão Que não me percebe E que não pode me entender. Caminho pensativo, Calado e tranquilo. E caminho sonhando talvez Com bons amigos, Silêncios e espaços diversos Para essa constante aventura Que é o simples ato de viver.

Terra em Ebulição

O planeta vive em ebulição. Gente sem casa, Gente sem comida, Gente sem escolha, Gente sem chão. A miséria grita. Em cada canto do planeta, Gritos abafados ecoam. Gente morrendo por golpes de Estado, Gente morrendo por ouro que nunca viu, Gente existindo sem viver, Gente sendo nada Mesmo respirando, Mesmo encarando a vida com a cabeça erguida. É tudo questão de mérito, dizem. Gaste menos, invista mais. Aceite a escravidão, Os massacres e genocídios, Golpes de Estado que trarão a liberdade do petróleo Escoando para terras estranhas Por pouco, enquanto sangra inclemente Um país inteiro e seu humilde povo. Os príncipes, lordes, burgueses, Todos eles sorriem Com a máquina mortífera Com amplos extermínios. Seus lucros aumentam. Que lhes importa o valor  da vida? Se o lucro não para hora alguma, E todo o seu dinheiro cria silêncios, Removem culpas, encobrem esquemas E vamos aceitando esses massacres, Não brigamos mais, não temos mais dilemas E assim naturalizamos não olhar o outro, Seus ...

O Tempo da Noite

Noite fria, tempo cinza... De fora ecoam os sons do brejo A sinfonia do campo Entoada por sapos, rãs e cigarras. Ao longe, as siricoras Chamam a chuva Que tímida, ainda não se apresenta. Tempo frio, noite cinza... Sábado à noite, calmaria. Bem longe, a ponto de não ouvir nada Pessoas cantam, dançam, Vivem o carnaval Sonham e sorriem O instante, um recorte Volúvel, o tempo que escorre Na vida sem fim. Noite adentro, calmaria. As estrelas se esconderam Para a chegada da chuva prometida Chamada pela sinfonia E que abraça forte Os foliões Como também intimida sem querer Os despossuídos, sem sombra ou abrigo, Que ignorados todos os dias Estão sempre na labuta Tentando simplesmente - sobreviver. Noite estranha, tempo vivo. O instante é um mistério, E a luz do silêncio Nos faz perceber Que em meio às dores e contradições Ainda é importante amar Sonhar, querer plenamente ousar e viver.

Afetuosidade

 As trevas lá fora Dançam em silêncio. Não rio, nem choro: Já não sei o que ou o quanto sinto, Quem sou, ou o que fui. Lá fora as cigarras Esperam a chuva Que insiste em vir furtiva Na madrugada. A vida habita e segue Nas margens do silêncio À sombra do tempo que passa E que hoje nada diz. Ah, como eu queria Amar me sentindo alegre O cheiro de uma simples flor Sorrir mesmo com o tempo esguio Olhar a Lua sem medo do frio, Dormir e acordar com algo sincero Cheio de entregas, obstáculos, medo e paixão, Divagando nos meandros de um olhar, Trilhando o caminho para algo concreto Um dengo, um afeto Realmente maduro para o meu coração.