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Mostrando postagens de novembro, 2025

Folhas ao Léu

 Ando preocupado. Não com as folhas que caem E insistem em me transportar Para dias e anos atrás Quando era outro, Quando tudo parecia certo Mesmo imerso no caos. As folhas caem E me aflijo Com cinza - marrom do tempo seco Que enfraquece o verde da paisagem. O tempo corre e eu caminho... As folhas caem, E as flores dos ipês se vão, Enquanto o Flamboyant retoca o dia Com suas pétalas insanamente bonitas. As folhas caem, E a ansiedade vem crescendo Como a saudade do amor perdido, Enquanto acesso a esperança nos sonhos Como instrumento de coragem, força, luz e abrigo.

Dia Intenso

Foi um calmo e lento dia. Carregado, claro e sombrio... Foi um calmo e lento abismo De silêncio incontido. Foi um sonso e belo dia De saudades que não sei De amores que pensei - Seriam intensos e eternos. Foi um dia sombrio e lento... Carregado, calmo abismo... Sem um claro Amor, muita saudade  (Já faz um tempo!) De ter um amor intenso e incontido...

Inquietude

Ando inquieto, Porém não descontente. As flores sussurram a beleza das cores Que me inebriam E me fazem sorrir Diante do cotidiano fechado. Ando inquieto, Mas tranquilo Diante das flores que clareiam a noite: Ipês carregados jogam com o orvalho As flores que cobrem o chão seco e firme. Ando inquieto, Mas percebo as aves voando Alto, ao longe, Firmes, distantes, Compondo imagens Que parecem sorrisos E fazem lembrar  O fim de uma forte tempestade.

Ipês

Há dias que não pedem poesia. O toque das palavras Sobre o cotidiano. As paixões nas palavras, O sorriso inquieto diante da vida... E está tudo bem quando me fecho. Quando habita em meu silêncio A história De algo que ultrapassa o sentido E se esconde Onde está o coração, A razão dos desejos. Mas há dias em que o tempo florido Faz o coração pulsar diferente: Sério e apaixonado - sem saber pelo quê, Tranquilo e contente Contemplando as flores que caem do ipê Elas vão me consolando de todas as perdas Da falta de um olhar amigo e amante, Do melancólico ser não sendo Refém do tempo que não anda - Agora e ontem, só faz correr...

Rótulos

Sempre tive medo. Sou um depósito de medos. Caminho só, sempre observando detalhes - Até do que não vi. Caminho na solitude. Sempre foi assim, Até quando julgava viver de outro modo. O medo de estar só  E assim seguir. Hoje talvez seja esperança, Por entender o quanto uma solidão a dois, A cinco ou dez - Não cabe em mim. Fui intenso, Talvez não tão real quanto devia Até para mim, E por isso coleciono cicatrizes e memórias  Que hoje vivem bem escondidas. O passado é um amigo distante e ausente. O futuro, um incerto aliado. O presente é o que sei. E nele procuro respostas, Contemplo o horizonte  E me reconstruo Distante de mim.