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Mostrando postagens de novembro, 2023

Scarlet

No outro lado do mar A promessa, o compromisso... O nosso amor que está pra nascer Suave, gradualmente, tranquilo Como as folhas que bordam o chão Cobrindo e protegendo a superfície. Fico imaginando o nosso reencontro Já bem distante Daquele dezembro Há sete primaveras Em que a beleza da chuva Fez a noite tão distinta e úmida nos sorrir... Talvez essa escolha Pela tua mão na minha Olhares cúmplices Caminhando numa calçada do Centro Ou num bairro qualquer Seja - em tempos A mais suave escolha Que já me permiti fazer.

Suco de Capitalismo

O dia vem nascendo Devagarinho A madrugada já se afasta Sem frio, sem orvalho... O tempo seco todo dia. A natureza cobrando o preço De nossa intrépida ignorância. No que somos superiores às demais espécies? Bebemos o suco do capitalismo E, mesmo os mais otimistas, Acreditam em uma mudança em três ou quatro gerações. Será que há tempo pra tanta gente nascer Antes do homem sumir Desse planeta tal qual um dia surgiu? Ridículos, hipócritas... O que somos afinal? As palavras não nos comovem A ponto de mudarmos. Vamos empurrando essas mentiras Até quando? Do que fugimos, Se a nossa covardia perante os donos do mundo Levará todos (ou pelo menos a maioria) À mais completa destruição? E nesse emaranhado de hipocrisias, A conciliação abre as portas pro neofascismo Crescente, mutante E ficamos calados Vendo mártires e ainda hoje Escrevendo notas Esperando de velhos senhores A paz em meio aos genocídios programados. Não me venham falar de amor, senhores. Não neguem na minha frentea luta de classes...

Reflexões na Noite Soturna e Quente

A noite silente... Sem ventos ou folhas caindo ao chão... Cães ladram ao longe, Afugentando soturnas sombras Sem boas intenções... Há três anos que me pergunto Se ainda sei amar Se me permito sofrer Ou se ainda fico preso à contemplação distante Silenciosa e ausente... É bem certo Que o meu universo cresceu Povoado em mim mesmo E talvez eu já não saiba ao certo Como ficar junto a alguém Outra vez. Talvez por isso Vez por outra Tomo um suco de uva - Aquele da garrafa de vidro, E sorrio imaginando uma história qualquer Com a mulher que contemplo Silenciosamente Em minha imaginação...