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Mostrando postagens de junho, 2022

Indefinições

O tempo não me assombra... Talvez a certeza de que ciclos Se abrem e fecham Como portas onde ora se entra, Outras se proíbem a passagem Para que não retorne mais. Eu sou um homem de tantos ciclos Que já nem sei por quantos mares naveguei Desde quando percebi Desde o momento em que comecei a me entender... Eu sou um mar que não se assombra... A poesia que não se esconde. Meio fechado, talvez ainda machucado, Porém real o quanto posso, Sendo sincero o quanto quero...

Ai Que Saudades do Boi

Ai que saudades de ver o Boi Girando ao som das matracas Acompanhando das índias Na poesia das tomadas. Ai que saudades da Ilha  Da terra de tanta magia Onde hoje o boi roda Em honra de São Marçal... Ai que saudades do Boi Enquanto longe - aqui Só guardo mesmo as lembranças De um tempo em que era mais fácil sorrir...

Eu Amo Contemplar os Lírios

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Eu amo contemplar os lírios... Só que enquanto observo Com os olhos apaixonados Mansos lírios Tem gente morrendo de fome Gente morrendo sem teto Gente vivendo com frio... Enquanto me preocupo Com a força do vento Perante a flor efêmera e insegura Há um menino inseguro na rua Sujeito à droga, ao roubo, à miséria Há uma menina prostituída Em alguma viela... Enquanto me contento em ser o poeta Que fala das flores, Que sorri pra vida, Tantos genocidas Trucidam tristes índios Que já não mais onde viver Mesmo sendo os eternos donos Dessa terra, desse longo chão... Enquanto me desvio Da realidade, o mundo real Assoma e desaba Enquanto contemplo os lírios Que em alguns dias Estarão murchos Secos como uvas passas...

Alguma Coisa

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Não me peçam nada... Não me escolham nada. Não me manipulem. Vou tentando ser livre Mesmo me sentindo preso Por não poder fazer Tanta coisa que já planejei. Não me cobrem nada... Não me julguem em nada. Que já não tenho a paciência Que há tanto perdi... Não me peçam nada... Só me deixem ser Quem eu tento ser... Não me cobrem nada... Não me exponham nada Nessa estação...

Compasso de (Não!) Espera

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Já não paro à tua espera. Teu sorriso vago Tua lentidão Ou meu desatino Já não existem Já não insistem Já não me ensinam nada. A lua banha a noite Tão seca e tão gentil Tão fria sem querer... Já não paro à tua quimera. Já não sigo esse jogo. Era um tonto, bem menino Bem feliz sem entender... Os grilos cantam e esquecem. A noite se compadece Da espera já esquecida Da primeira juventude vencida Da lembrança duns olhos de lua... Do meu olhar que afaga a rua Redescobrindo lembranças Rememorando esperanças De um tempo ainda azul.

Transmutação

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O tempo voa tanto que me assusto... Ontem eu era pequeno. Há algum tempo, sorria tão sincero Que hoje Já não me reconheço Ou me percebo Um tanto áspero Um tanto impuro. A lua envolta em luz É só uma lua. Tão diferente de quando olhava o céu E via formas tão reais, tão puras Do meu amor que já não existe mais... Que já se foi com um adeus E se escondeu, E se perdeu Num dia todo azul...

A Lua do Dia 12

A lua incendeia a noite... Eu calo e contemplo Sem chuva, sem raios Só luz e poesia. A lua atravessa o céu E traça um sorriso Que ainda não sei... Que ainda não vi Em cada gesto E qualquer esquina... A lua atravessa a alma... Afaga, acolhe, afronta... Me faz rever Todo o sentir. Me faz sentir E, sereno, continuar caminhando...

A Fria Noite

A lua já não tão cheia Se esvazia Não incendeia... Lá fora as nuvens Vão se unindo É o vento frágil É a noite abrindo O tempo pra chuva Que dali vem. A lua já tão murcha Vem de tão longe Está tão longe Lá fora as nuvens enganam os grilos Encantam os olhos de quem procura A poesia na noite escura...

Ode à Leveza

Hoje estou sorrindo. Quase sempre estou sério. Hoje, não me reconheço. Mas não escondo os meus versos. Hoje queria admirar as flores Se flores desabrochando no jardim tivesse... Hoje quis dar bom dia à lua, Boa noite ao sol... Hoje tenho a certeza  Que, de um tempo, Reencontrei beleza Nesses dias cinzas, Nesse tempo anil... Hoje já nem sei Se a chuva vem... Hoje só eu sei Que hoje já não sei Se eu encontrei Toda a calma De um instante Prosaico, objetivo Carregado de beleza Um instante de leveza      Para tantos dias áridos Para um tempo tão anil...