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Mostrando postagens de setembro, 2021

Micropoema

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Que importa ao dia que finda Mais um suspiro Mais uma cor? Vai se escondendo o sol Escurecendo o azul Nasce um outro encanto O brilho dos lampiões Pessoas caminhando nas pedras Ruínas, Percebendo sonhos Que se notam resplandecentes Com as luzes de outra cidade No espaço do além mar...

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Já não quero Recomeçar a roda. Quero fazer tudo de novo Sentindo o sabor De novos dias Tocando um violão desafinado Como minha falta de talento. Vou deixando o vento passar Vem tão suave Que já não me importo. Depois de um tormento Vem a calma e o costume Se impõe Se põe Expõe o seu poderio. E assim vou sonhando Pouco a pouco Dia a dia Sem pressa Só recomeço Redescobrindo Olhando tudo Querendo o novo Tentando aos poucos.

Pronto

Já passei muitas noites Mirando estrelas Sonhando baixo Tão vago Quanto promessas Eternas que se foram Num instante. Hoje sei Quase tudo que não quis notar Nos longos momentos Onde o silêncio dava o tom E as horas vagavam lentas Como minhas preocupações Meus erros Ao querer ser presente Nas ausências Neutralidades Nulidades Sufocos, fracasso... Mas hoje já noto a lua amarela E o vento forte da madrugada Já não me assusta Não desafia... Já nasce o tempo De um novo amor Que não conheço Que não escravize Que não me faça perder Para que o possa encontrar. Um amor puro Mas não ao ponto do ideal Real, sincero Cheio de contornos Leve e intenso Sem medo ou culpa Só livre e certo Quanto incerto É o tempo As horas Enfim - o futuro...

Poema

É noite alta... Poucas estrelas à vista A lua crescendo majestosa Meus olhos transcendem o estupor... Há um tanto de desânimo Em cada canto De minha face Em cada detalhe Nos meus gestos Que vou reconstruindo Passo a passo Longas incongruências combinadas. Parece tudo raso e frágil Se for ver com olhos simples E desânimos recauchutados... Mas vou topando com o amor Ao notar um jovem pai Correndo no coreto com o filho, Nos olhares súplices E sorrisos cúmplices de casais, Na calmaria estranha e vívida Neste ramerrão insípido da terra...

Ditirambos

I Hoje caminhei ao lado da flor Sereno, contemplativo e tonto Sem saber ao certo O que me deixa desconcertado Inerte Frente à beleza que emana De um sorriso Ou de um farol no meio da escuridão... II Entre canhões inativos e enferrujados Eclodiu o fim de um cativeiro As amarras de um tosco passado Onde ainda via amor E que se esvaiu como a brisa Como os dias sempre a morrer... III Cliques, fotos, fatos, Representações Que só retratam A beleza de ruínas e plantas Ou de gente que finge se importar Com algo além do curtir, amei De mentiras instagrameáveis... Vou além do belo, Quero a verdade A poesia, a cor... IV Em contato Com essa beleza cor de canela Num rosto redondo de lua, Tão solar Quanto me permito perceber Um encanto Que só em você Noto aos poucos, parceladamente Mesmo vendo tanta beleza Nos dias que transcorrem soltos. V Mesmo sabendo que as flores São belas como o dia Se escondendo por trás das ruínas Cedendo o largo e às horas À lua tímida e majestosa Um pouco diversa daquela Q...

A Árvore do Encanto

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À sombra dessa árvore Onde habitam o mistério e a beleza Já imaginei repousar Em toda sua inquietude A mulher que em segredo admiro... É estranho esse ponto no caminho... Mais estranho, o ideal que nele traço... E surpreende ainda mais, Pois, quando por ele passo, Só a imagem dela me ocorre, Aquela a quem vou expondo Uma vaga indiferença Tão certo quanto O medo de cair aos seus pés... O temor do seu sarcasmo. E longe delas Da árvore de poesia E da beleza Dessa Vênus livre e moderna Assomam as horas lentas Da noite Com o seu vento veloz De frias e incertas divagações...

Pátria Amada Bra(z)il

Pátria amada... Mas que amor é esse Cheio de fel e egoísmo Que persegue os críticos À fome, à miséria, ao nada da desolação... Um amor que trafega apenas Entre o ódio e a indiferença, Pisoteia Finge demência Balbucia palavras em inglês Se agarra à bandeira morta E às camisas da decadência E mente Expondo o comunismo ao contrário Pra salvar burguês salafrário Dum acerto de contas necessário Com o povo a quem engana e oprime Vivendo às custas do crime Da bala, do boi, da bíblia, Do soco, do saque Na cesta, no gás, no pão. Nesse trem da onda fascista, Neoliberal e privatista É preciso ir além do sonhar: Alimentar, fazer Viver o tempo e a hora da revolução...

Mirante

Frente à Ilha do Livramento, Vou mirando o horizonte. O sol escondido levemente Por trás das sombras da igreja O som dos pássaros Dando o tom A régua, a paz O instinto... Mar calmo E mais ainda Suave, ritmado... Espraia lentamente E entorpece Os medos do silêncio, A sombra da aflição... Guarás altivos Voam simples, no alto Vão livres, tão longe Quanto sonhos de infância Que se escondem Como versos que escreví Para esquecer... E lá embaixo Uma velha canoa Boiando Num cais improvisado Vai bordando Bem solitária A beleza que o instante Curto e fugaz, mas constante Aos meus sentidos Concedeu... Alcântara, 1 de Setembro de 2021.