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Mostrando postagens de março, 2021

Sensações

Todo tempo que se tem Sempre vale alguma coisa... Segue insólito o receio Da inevitabilidade Do tempo atroz e companheiro.   Chuva plena no fim de março. Já não há mais ponte com o passado. Há dores que já não doem E ferros que já não queimam...   Escuro O quarto O instante sombrio A noite inefável O vento inerte...   Já não há praças que ofertem A velha paz momentânea Silencio abençoa a cidade Da qual me escondo O quanto posso...

Noturna a Mais

  Tudo basta Ou basta o incenso Para que me purifique De velhos fantasmas De sonhos vãos?   É noite adentro Da própria noite... Silencio Gatos na rua. E só – sem sono Noto o tempo Comprido e vazio.   Estranho estado. Susto – rigidez simbolista? Pessimismo de Belazarte Ou mente de Pierrot.   É desastroso esse medo. Trôpego, refazendo passos. Avanço sem tempos marcados Caminhos que não percebi.   Noite adentro Cético, frenético Distante das Flores do mal , Sintético – quem sabe, patético Caminho inseguro No tempo que vem.

OBLÍQUO

Quem estará mais só? O homem que corre À noite - sozinho... Os cães que ladram Quase desconsolados. Lá fora tudo corre Nada é paz...   As ondas talvez Contassem os segredos   [ Que a lua pudesse ter ouvido De bocas amantes Amarguradas – sóbrias ou limpas Distantes de tudo Até de sonhos, Distantes, distantes De tudo então...   Vontades se prendem Fingimos que morrem Na noite escura No instante que corre Dispersas Discorrem De tristes venturas...

Versos sem nexo às 23

 Noite escura. Vento frio. Morcegos voam sobre as ruas... Ou seria sobre os quintais? Aquelas nuvens de chuva Estão lá A postos À espera do momento certo Que desconhecemos -  E é importante Guardar o mistério Mistério de não saber... Sem as flores na porta Restou apenas o concreto Com o qual não me visto Nas noites e dias Inclementes e gentis...