Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2021

Dois Pontos

  Lá vão as histórias de pescador Nos barcos que atracam Na velha barragem Próximos a velhos abrigos... Enfrentam pequenas tempestades Nesse profundo mar feroz e temido.   Do outro lado – um cais: O luxo do lixo burguês Gente que não vê Nada além do que deseja E, se vê, regozija Com a dificuldade de quem nada tem.   Dois extremos... Vida que segue. Eu porém Aposto no sorriso De quem - nunca pisou alguém De quem nunca – “venceu na vida”.

Fugiu Ao longo dos dias A certeza Que as noites afagam.   Se não há flores Só resta um violão desafinado Que não sabe ajustar Versos em canções Enquanto o tempo Caminha Quase por um fio Vaso de ilusões...   São preocupações acima Medos abaixo Pinturas de velhos recortes adormecidas Enquanto naufragam os velhos cansaços E se troca a pele por instinto Sereno Distinto Ao som das cigarras Nas madrugadas Que o tempo ainda não contou...    

Será Que

Será que um dia, baby Ele vai te entender Da forma que me propus Com os sonhos que fui deixando Ao ver o seu tanto faz.   Será que ele um dia vai Te olhar nos olhos E pensar Na sorte que tem por cada minuto?   Será que um dia ele irá entender Cada gesto Cada passo O teu ritmo em descompasso E que as flores valem muito Mesmo que o seu amor não dure Mais do que uma estação.   Será que ele dirá Que já não precisa buscar O mais terno riso? Será que o teu olhar Será para ele A ponte – o caminho A verdade inconteste Que afaga, conforta? Será que ele saberá Tudo que aprendi? Não sei Nem ficarei A esperar por uma dor a mais Após ter deixado você Cansada de mim - Esquecer Tudo o que ficou no inverno Dum tempo estranho e terno No qual me senti reviver...

Noite Adentro

Noite adentra Cheia de silêncios Já sem sutilezas Além do silencio Que beira a meia noite.   Há cães vadios latindo nas ruas. Seriam talvez as almas errantes Que se diz tanto Vagam No escuro – silencio Onde o absurdo Até faz bastante sentido.   A noite adentra Com os gatos pulando telhados Foguetes ao longe Comemorando em meio a todo o caos...   A noite adentra Com cães vadios E gatos em telhados No espaço tempo Onde o absurdo Até que faz qualquer sentido...

FRIO

  Insônia como serão... A chuva nesses dias Quebrou o fluxo Os ritmos Deixou turvos medos E incertos rumos.   Me abstenho De procurar novos contornos Que não façam qualquer sentido. Absorto Com o som das cigarras Vou deixando as horas contarem Os segredos do tempo que vai Frio e sem direção.   Afago a cama Lá fora é incerto Frio Quase melancólico Mas certo como dois e dois São quatro Se não tenho artifícios Se a espera é paciente Como o tempo a cada passo...    

Enxurrada

Chove Enquanto descanso Daqueles versos Meias palavras O tempo eterno Vai escorrendo Entre os dedos.   Vai refazendo Toda a história. Todas as lembranças São só lembranças E nesta hora Se vai limpando Com essa chuva Todas as mágoas, Tantas dúvidas...   Chove e lava o chão. Vem e não esconde O tempo que passou E molda o caminho Do que ainda não existiu.

O Correr da História

  Já não vale reformular verdades Sobre a mentira que todos veem: O amor de cinema ou streaming, O clichê que encanta e cansa, Os amores sem futuro com histórias de uma hora.   Hoje faz mais sentido Sentir – ver – notar Pessoas com fome Gente sem nome Esquecidas pela gente de bem Que se escandaliza por qualquer coisa Mas é incapaz de estender as mãos Com seus batidos discursos morais De quem é incapaz de encampar uma luta, Ou fazer uma boa ação.   No fim das contas É isso: Um individualismo soberbo Grita ‘‘foda-se” em todas as direções Enquanto os mandantes Que sequestram sonhos e futuros Sorriem Seguros de que a hora da virada profunda Não há de vir. (Será?) Então pra que todo esse aparato De casos isolados sem punição Aos gorilas que o Estado coloca ao seu dispor?   Seguimos sem respostas Mas desde que perguntas Comecem a circular Algo pode mudar: Desde que a demagogia de alguns Não divida os s...

Hoje

Imagem
  Hoje Pouco importam as flores que te dei Se ao sair Seguindo para onde o olhar não alcança E onde as saudades vão desistindo Tornando-se apenas lembranças...   Hoje Pouco importam as cartas que escrevi Se ao partir Evitou que se falasse o mínimo E pudéssemos enterrar dignamente Uma história singela   Hoje Pouco importa qualquer coisa: A gente se percebe E vai construindo dia após dia Novas notas, novos nortes, Reconstrói sonhos E, calejado Já nada espera: Nem mesmo um olhar certeiro Ou teu abraço apertado Ao correr a porta...

Disformes

  Passa o tempo E se perde tempo Buscando heróis Modelos de gente pré-moldada Pra vender Aquilo que se espera Com palavras dispersas em redes sociais.   Enquanto as telas ligadas Absorvem tempo e pessoas Com farsas e falsas figuras Tão reais Voa a noite Com o desemprego e a fome em cada rua.   Os verdadeiros bandidos soltos e tranquilos Enquanto demagógicas figuras Discutem, discutem e se fecham Nas bolhas e dizem Que o outro não tem espaço: Afinal a igualdade não é direito E assim vamos tortos construindo A dita civilização.