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Mostrando postagens de dezembro, 2020

Lua da Passagem

Lua cheia. Mais um ano que finda. São tantas memórias Que ficam borrando a história Com tons inconstantes Claros, escuros, Próximos, distantes, Como gestos que não mais vi Como tampouco Encontro sorrisos e palavras sinceros Nos pontos de ônibus Que seguem lotados. É noite E a lua resplandece Soberana Como o amor que caminha sobre o tempo Tão doce Efêmera na forma Intensa como a vida deve ser...

O Dia do Dia

Dia que finda... Mais uma chance, Mais um começo Tempo de sonhos Tempo do avesso. Ao longe, as palmeiras... É a hora que arrasta Os medos, os passos... Passado batido. Tempo que encanta... Noite que vem. Lua que brilha. Vida que oscila Nos dias que se vão.

O Céu

Fim de madrugada... As nuvens passam Como o efeito de um sorriso Que se aloja na memória E obriga o tempo a curar tudo. A noite foi de estrelas; Rápido as li. Pareciam caminhar solitárias Na imensidão do céu azul escuro. E assim Assombro os dias Buscando com as estrelas Um começo De novo e para o novo que já vem.

25/12

Tempo de calma. É natal. A família em casa. Os sorrisos em pauta. Medos adiados. Esperanças sob demanda. É tão natural O tempo caminhando tão particular. Dias de chuva. Noites sem lua. Lá fora há sapos coaxando. É tempo tão raro. Família, sorrisos e esperanças sob medida.

O 9

9 poderia ser só um número. Porém No tempo e espaço No contexto É incerto pensar no 9 apenas como algo em si. Há muito passei das 9. Ou eu passei pelo tempo Sem notar que o domingo se foi. Correndo Atropelando as horas. Parece que já é natal. Ou quase lá. Talvez o 9 seja só um número. Mas também seja a história De dois gatinhos Que transmitem amor Nesses tempos estranhos e sombrios.

Observe

Olhe as flores. O tempo gira. Torce. Retorce, distorce. Nem sempre tudo sai igual Ou minimamente parecido, E está bem certo. Os sinais do tempo Indicam a mudança, A virada Ou o feedback do recomeço Auto proposto. E é assim Que os dias ficam mais leves, A vida mais verdadeira Naquilo que é possível Ou seria um ponto sensível A nos indicar o caminho das flores À beira do mar?

A ponta da Lua

Uma praça deserta. As mesmas pessoas. Que já não são iguais. Já não sabem tudo. Melhor não saber E redescobrir Quase do zero. As mesmas pessoas E as incertezas que cabem No instante Amplo, além de espectros Pontes Que se reconstroem Mas serão firmes? Ou tudo esvai tão fácil A ponto de não saber? Já nada é certo ou errado. É só incerto Ter tanto medo e pouco tato Nessa dança Na costura desses passos.

Redescobrir

Imagem
Andei pensando Uns tempos atrás Que nada no mundo Seria maior do que uma dor Simples Fútil Leviana e insegura.   Porém Fui notando A gente pulsa de tantos modos... E quando nota Tem certeza: Estamos vivos Estamos perto ou longe De qualquer caminho Ou qualquer resposta.   Estamos vivos. E nesse caminho Criamos o famoso destino, O fado A mentira determinista e dogmática Ou a história real Percalços no chão Pés pisando rochas pontiagudas.  

Sonolento e Desperto

O inferno é o silêncio Das ruas Em meio à insônia descuidada. É cedo Mas fica fácil desde já Notar todos os ruídos Perceber todas as conversas. Não é raro. Porém é humano. Amigos de quatro patas Dormindo no chão. Barriga pra cima. Um sono tranquilo. É noite - dezembro. Renascendo, vivendo. A noite caminha em seu ritmo. Palavras escasseiam E o sono segue sua falta de ritmo Na rápida insônia Que demonstro ter.

O céu

O céu não são aquelas nuvens Que se desfazem à nossa vista Ou o tal paraíso tão prometido, Nunca visto ou sentido... São pernas fatigadas De tanto caminhar Em pouco tempo... São os ouvidos atentos, A palavra que partilha, O cuidado nos detalhes. O céu não é perfeito E basta ser real Pra que os momentos Prosaicos Sejam mosaicos De histórias dispersas A serem contadas Ou guardadas Num armário qualquer Ou no coração Que segue intenso Como a própria vida.

Tempos de Concretude

  Tempos Que correm Se espraiam Se desentranham da pele E se desfazem Voam como a eternidade Do não saber Frente a dúvida O que fazer Como caminhar.   Brigam na rua. Pra que E por quem Não se sabe. Talvez não importe.   O silencio na casa Precaução nos caminhos São os dias que correm Eu olhando sozinho Aquele velho céu Sabendo que nada ali É tão místico Quanto sonhar...

Ônibus

O ônibus passou... E eu não podia tentar alcançar. Havia dias Em que me via como urubu... Longe, distante do chão Vivendo a indiferença De quem caminha com os pés duros. O ônibus passou. Mas certamente Era sozinho naquele ponto Que eu precisava estar. Um misto de medo e silêncio Se apoderou do momento E lá estive eu, Mais uma vez sozinho Com medo da chuva Mas vivo À espera da próxima condução.