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Mostrando postagens de agosto, 2020

Saudades de Caminhar a Esmo

  Estamos longe Em pontos extremos da cidade... Espero Enquanto aceno pro vento Que vai passando frio Debaixo da porta...   Anseio Pelo reencontro Atenuação das saudades Que vou acumulando a cada sábado Das rápidas horas Que partilhamos Alegres, quase insensíveis A tudo que nos rodeia... Caminhando a esmo Duas almas interligadas Sem razões ou certezas.

Encruzilhada

Dói o silêncio. Entrementes, quero a certeza Das sensações que a boca não diz Daquilo que os dedos não digitam Do que o coração sente, Quando os olhos buscam no teto escuro Na noite sem luar De motos e cães pelas ruas. Dói a aspereza Talvez não intencional, Mas firme. E vou deixando o tempo correr Descansar Do balaio de emoções Em silêncio, Tentando entender Ou melhor - acostumar Aquilo que parece iminente Quer o sol esteja nascendo ou não E vou deixando a porta aberta Pra saber  Onde ficou uma parte de mim...

Noite Silêncio

Esta noite é o silêncio Do teu sono Do vácuo que caminha até a manhã Das horas que operam devagar Do tempo que fiquei atento a outros fatos. Mais tarde você vem. Eu sei. Entendo o cansaço Mesmo que não o diga: Dorme bem Por hoje basta. Cachorros na rua Me lembram Que as horas vem passando Momentos São recortes que a gente deixa amontoados Até que num dia qualquer Tudo pode ficar no mesmo espaço Na mesma gaveta Protegidos pela mesma chave Que só usamos com plena certeza.

O Profeta da Revolução

Há oitenta anos tombou um homem Que acreditava na revolução. Um homem que lutou e sofreu, Sonhou com um mundo melhor. Bem cedo Um jovem judeu Ao marxismo aderiu. Na revolução acreditou, Idéias criou. Inimigos fez. O jovem Lev Davidovich não tardou Com suas idéias A encontrar o caminho da privação E na cadeia, do carcereiro O nome que iria consagrá-lo: Leon Trotsky, Fervoroso profeta, Comandante militar Teórico incansável Da revolução permanente Do crescimento desigual e combinado Que culminou na teoria posterior Do capitalismo tardio. Ao fim da vida Exilado, perseguido, Filhos e amigos perdidos, Pelo mando Pela ânsia de um perverso assassino Genocida, covarde e mesquinho O dito Josef Stalin Morreu o profeta da revolução Que sempre acreditou e não cedeu Às calúnias Aos desmandos E por fim recomendou a juventude Não desacreditar a vida E limpar de todo mal o mundo...

A Gente

Gosto de sorrir Quando encontro o teu sorriso Após uma conversa séria Sem as meias palavras. Te abraço imaginando Se um dia estaremos Olhando o sol no mesmo ângulo Dividindo a mesma casa. Às vezes não sei... Nem sei quanto sei sobre nós dois, Mas vou tecendo contigo Os detalhes Pequenos, sutis Pra que a gente não caia Na névoa da incompreensão. E assim vamos dando Pequenos passos Olhando pra frente Com as mãos dadas No toque direto Ou com os sentidos do que a gente não vê, Mas sente nas noites e dias De intenso ardor Alegres ou descontentes...

Hipocrisia

  Igrejas abraçadas à hordas de exterminadores. Clamando por vidas que não existem ainda Dizendo que é pecado abortar Quando o real delito É não dar abrigo Pão, escolhas A quem já está vivo, Olhar e fingir não ver Fazer pactos com o poder E se esquecer Ou antes lembrar Aos pobres que a sua penúria É uma cruz que precisam carregar E que só no diálogo Tudo pode melhorar. Mentirosos Entregam o povo Nas mãos do fascismo nascente O ovo da velha serpente Cruel e indiferente Do capitalismo que mente E mata todos os dias A nossa pobre gente.

Tateando

Tudo caminha Tateando Buscando acertar. E vamos criando novos passos. Espaços Contatos Saudades contadas Desejos mostrados. Gosto dela comigo. E ela também sorri Quando sorrio. Tem medo quando conto histórias... Parece até que já a conheço De muitos anos Ou outra vida. E assim nós vamos Tentando planos Nos encontrando Vivendo, sonhando Com o dia seguinte Enquanto estamos Descobrindo um ao outro Nos dias que transcorrem, Nascem, morrem E nos dão novas perspectivas.

Juntos

  Eu te quero a cada passo que dou... Vou me despindo Sendo mais real, Menos palavras por trás de um teclado.   Vou amostrando Minhas heranças: Gestos Jeito Histórias em seus contextos, Agindo sem tentar encobrir Meus erros e defeitos Querendo te mostrar As possibilidades no caminho.   E assim Nossas mãos Nossas bocas Nossos pés Perscrutam o melhor caminho Para dois que claramente Voam juntos em meio à multidão...

Tu vens com o tempo

O tempo vem caminhando. Tu vens cada vez mais. A noite é um tempo suave E o dia é pedregoso, concreto. É certo, porém Que aprendo Com os teus olhos E sorrisos bem abertos. Enquanto tu vens Aprendo o tempo Que corre No momento em que sigo Ao encontro dos teus olhos - faróis Que fazem do mundo O paraíso...

Gradientes

  Tons de iogurte Ou algo mais perto: É onde nasce tua diferença À primeira vista Tão simples e pequena Que vai crescendo Quando encontro teu sorriso.   A gente vai passando com as horas E quando vê - é noite Não demora Que nessa distância Nasçam pequenas saudades Irregulares de fato Mas nunca perdidas Na imensidão Daquilo que não sei definir...

Números?

Cem mil mortos. São números apenas? Pra quem naturaliza a morte São só estatísticas Fatos banais, Um dado a mais Sem qualquer solução. A dor das famílias não importa? As lágrimas de mães e pais, A dor de filhos e companheiros, O silêncio eterno pra milhões de amigos. E no entanto O responsável genocida Não pode ser afastado Pois o Deus Mercado Das sementes milagrosas de feijão É o mesmo que sustenta Embasa, orienta A equipe criminosa de plantão. São vidas Ou simples números? Pra quem vê como dados frios Arquivados, burocráticos Já não há salvação: Qualquer dignidade Caminha longe, Esquece desses vermes que caminham. Tripudiam da dor Deturpam o sentido do amor Controlam corpos e mentes Nessa saga descontente De caos, medo e deriva...

Bem devagarinho

Bem devagarinho Deixo o tempo de mansinho Construir os blocos Amolecer os espinhos Fazer os caminhos Que abram a porta Pra um outro passo Tão longe No espaço Mas tão perto Nas vagas divagações De noites como hoje Escuras e quietas.

A Amada

A minha amada tem A pele macia como pêssego, Os olhos grandes, A boca firme, Cabelos curtos e sedosos. E no entanto O que mais encanta É o seu jeito de pessoa certa Que sabe o que faz e quer Que à noite faz tudo parecer claro; Transparente O pulsar no coração...

Paralelo

Gosto do teu jeito Sincero Com olhares que não aprendi a decifrar De forma clara. Gostaria de dizer que te quero Mas não quero apressar aquele tempo Das certezas que precisam existir. Não se assuste se me calo algumas vezes. Nem sempre sei o que ou como falar. Se estamos juntos O resto das coisas vem caminhando tranqüilas, devagar. Se eu não posso te ver sempre Fico meio descontente. Porém, sigo paciente Mesmo com o teu jeito isento Objetivo, direto,  Que não lembra em nada o meu.

E Assim, Vamos!

Se estamos juntos Os dias e as horas Sempre parecem propícios.   Vou sendo exagerado Quem sabe um tanto bobo Decerto apaixonado E vou mostrando com o tempo Detalhes, defeitos E atento pro que vejo e percebo.   Tua pele clara Combina Com o sorriso expansivo, sincero. Menina Que me enfeitiça Cativa, fascina; Amor que não se encontra em qualquer esquina, Tesouro perdido e achado, Escolha sincera e genuína...