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Mostrando postagens de outubro, 2019

Sem Título

O mar fétido encanta milhares, Atrai corpos e olhares, Ofusca a paisagem e assusta Quem vê sempre as coisas finitas. A angústia do mar Parece com o desespero... Afaga e aflige com a imensidão A quem tem medo do desconhecido. Não importam velhos vultos... Tudo isso passou. Lá em frente, casais observam a lua. Comem, riem, discutem... Vivem. E aqui observo Recluso, em silêncio, Tudo que ainda não encontrei Em qualquer coisa rua ou esquina, Num olhar vago e desinteressado De algum improvável momento.

Dispersos

Escondidos em uma sala Digitando Vivemos como burocratas Distantes da vida e dos sonhos Em silêncio focados no nada. O dia lá fora já se foi Mas parece que a noite também Parece estranha. Ficamos fechados, olhando pro teto: Desconsolado consolo para mentes inquietas. Os minutos correm ou se arrastam. Não reparo o ritmo, apenas acompanho O tédio que aflige, paralisa e chateia. Não tenho buscado as flores Que um dia dei a diversas mãos. Apenas desafio o silêncio Buscando uma pausa para a fadiga, Amiga do tédio inclemente, Companhia feroz e sagaz.

Ainda Iguais

A luz que passa pelos telhados É limitada, frágil e curta Como vozes autoritárias Que se levantam de tempos em tempos. Abundam as respostas para o mesmos problemas, E no entanto, vê: Ninguém consegue conversar, Afoitos e afeitos que estamos A idéias fechadas e incompletas. O dia nasce bonito, Mas os atos enfeiam o tempo, Como paredes escarradas de gripe, Ou lâmpadas cobertas de teias. E vê: aqui ainda estamos... No fim das contas ainda seremos iguais Ao que sempre evitamos E não queremos repetir. Onde está a coragem de romper Para além das palavras E viver como sempre quisemos?