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Mostrando postagens de fevereiro, 2018

Labirinto

O dia nasceu inclemente, Como o olhar perscrutador Da moça pura com sono. Mantenho distância do teu olhar, Quando teu medo atravessa a minha retina, E percebo que não devo correr Quando o silêncio fala mais que as (in)certezas proferidas. Busco encontrar a raiz De todo esse labirinto, Prova da minha afeição Pura, real e sincera, Lapidada numa pedra qualquer Em um caminho singelo e nebuloso.

Fascínio

A bem da verdade, Percorro distâncias com o olhar Em busca de ideias que abriguem O desejo de percorrer este caminho Com as nossas mãos entrelaçadas. Não tenho medo do teu olhar que provoca Como se fosse capaz de fazer algum mal, Mas simplesmente emana o medo da certeza Quando fixo os meus olhos em tua doce fronte. Misto de vergonha, confiança e bom humor, Teu sorriso preenche os espaços do dia E torna serenos meus anseios cansados. Confio em suas palavras... Mas tenho cautela,  Pois a vida é inconstante Como os longos devaneios meus.

Desejo e Desencontro

Imagem
A vontade de te ver impera Em meio ao caos da cidade. Os olhos contam os minutos E as horas caminham devagar. Passa o tempo,  o dia - até Mas fica em mim o desejo Consciente e constante De estar contigo um instante Nesse dia lento e frio... Não bastam as horas lentas E o triste desencontro. Oscilam as minhas certezas Longe do teu sorriso, Portal de esperanças, Sonho do paraíso, Beleza concreta e abstrata, Numa eterna menina Com trejeitos de mulher. São Luís, 23 de fevereiro de 2018.

À sombra

Quando o sol se esconde E dá lugar às nuvens no céu, O vento caminha tranquilo Sobre a copa de árvores imponentes. A chuva entrou numa trégua E as horas passaram ligeiro, Rompendo a monotonia do silêncio Com doces sorrisos sinceros. Esquecidos no tempo e espaço, Guardados na música calma e esquecida, Deixamos as horas correrem, Até que o cotidiano tolheu enfim O nosso encontro.

Hoje mirei o mar

Hoje mirei o mar Com suas ondas arquejantes Tão belas quanto um sorriso moreno Que escapou de lábios sutis. Hoje mirei o mar... E a chuva compôs nesse encontro Uma rapsódia de sensações No contato com o chão molhado Nesta solidão do cais. Hoje mirei o mar... E percebi que o caminho torto Não aflige os meus pés cansados De círculos já conhecidos E certezas desgastadas. Hoje mirei o mar... Que importa o sol do inverno Quando a chuva é quem traz a vida Esquecida num ponto qualquer.

Bucólico

Cheiro de folhas molhadas Guarda o agridoce dos dias de chuva. O sol - hoje, desconhecida estrela Caminha distante em meio ao firmamento. Há flores em diversos tons, E vida a ser refeita em cada pétala. Um vasto silêncio na paisagem Traz aos sentidos uma paz incontida. O extenso campo de pequenos arbustos Traz em si o mistério do infinito, Em meio à chuva que cai E as solitárias borboletas,  as quais lembram Perdidos andarilhos Sem ideia de destino, nem pressa pra chegar.

Pierrô sem Colombina

As semanas passaram ligeiro. O carnaval chegou... E o descompasso Das certezas de amores massacrados Traça os passos pensativos De um pierrô apaixonado. A cidade cintila com os foliões nas ruas. As cartas escritas - onde estão agora? Com os passos,  vem a saudade Daquela que nunca o amou. Olha o céu,  e contempla sereno O azul de vida que transborda Nesse mar de incertezas, Em meio ao silêncio inconstante, Distante daquela a quem um dia escreveu.

Segunda de Chuva

Chove sobre a cidade, Que está nua sob a fonte Distante da pálida calma cotidiana. O azul do céu ficou violeta, Quando ao invés da lua A água em tudo ficou visível. Percebo meus passos encharcados Neste caminho,  já conhecido Que guarda segredos amedrontados Num banco de praça adormecido. Meço as distâncias que ainda não percorri, E percebo que tudo está por escrever, Enquanto o mistério segue o caminho lado a lado comigo, Com o imutável propósito de ter um abrigo Nessa incessante busca de um recomeço.

Pra ela não

A chuva trouxe a certeza De que ela deixou pra trás Meu amor rejeitado há tempos, E esqueceu a desimportância dos fatos. Ela não quer voltar ao caminho... E por nada insisto, Visto que a certeza dela É maior que a quimera vivida E guardada nas minhas lembranças... Ela não olha pra trás... E sigo só,  como sempre, Tendo a certeza dessa dor, Leve desgosto que não se esvai.

Dia Dissoluto

O dia de chuva passou em silêncio. .. As nuvens melancólicas correram pouco. O vaguear dos passos na casa Pressupõem inquietação de quem caminha. - O dia de chuva passou em silêncio... A fome irrequieta ocupou o tempo... Na visível indecisão que acompanhou o dia. O medo da casa - ruídos no quintal Não tornam o sono pesado e tranquilo. - A fome irrequieta ocupou o tempo... E a contemplação do céu distraiu O discreto receio de não perceber o amor. Retido nas flores e rios, Gravado em cada sorriso De algum recanto escondido, Alheio ao desalento, Desconhecido e ativo torpor.

A Lua

A noite encantada trouxe a luz Da lua dourada Que encanta os olhos De quem nunca viu A rara beleza Dos traços tranquilos Do brilho singelo Na hora inconstante De um dia incomum... Na telescópica contemplação Do silêncio implacável Os sorrisos próximos Trouxeram com a luz A beleza inconteste Do momento tranquilo. Em outros tempos Ela traria certezas Mas basta agora Que ela transborde beleza Quando a noite levanta...