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Mostrando postagens de outubro, 2025

Poetas

Navego sobre as palavras. Nem sempre elas ocorrem  Do melhor jeito, Na mais perfeita forma. Não sou eu quem efetivamente as domina... E sim elas que me possuem, E possuído em sua teia Vou bordando significados. Ser poeta... Não acontece com oficinas, Com técnicas. Há milhares de pessoas que versejam. Ser poeta é sentir a vida A finitude e as nuances da imperfeição Da existência... E mesmo assim sorrir Um riso manso e discreto. Ser poeta é caminhar no inefável, Receber a compreensão de alguém embriagado, Ser respeitado na invisibilidade do ser. É ver a vida sem tanta crueza, Ainda que imerso na realidade E ser inteiro na intensa vontade de ser fiel Àquilo que escreve, Aos mistérios de suas criações, O brilho intenso da vida Disperso em palavras...

A Plenitude na Paisagem

O domingo se vai... Daqui a pouco uma nova segunda Uma nova semana  Para correr no automático Como máquina - bicho - gente... Em horas  Novos episódios da labuta diária, Outros cansaços e detalhes. É tudo difícil, pesado e complexo. E mesmo assim  Na vista dos campos Em meio à natureza reluzente Imersos no caos Do calor intenso De ventos empoeirados e ardentes Em tudo que transita e surpreende  Há uma fagulha da presença divina, Um amor intenso, forte e presente. E esse amor puro, sincero, presente Que se manifesta em silêncio e detalhes No que vemos e também no que não conseguimos ver Transborda sobre a gente  E traz a coragem  Para enfrentar o medo impuro e inconsequente.

Silêncio, poesia!

Faz silêncio... Hoje ou em qualquer dia Poderia sair  Mas habito uma caverna Vivo num auto-exílio Fujo dos contatos Fujo da tristeza  De ser somente mais um. Faz silêncio  Onde habito Mesmo que ao meu redor O tempo e o caos se abracem. Eu me comporto e escondo Tranquilizo e me fecho. Nada lá fora faz sentido. Faz silêncio E nem a lua percebo... Às vezes a vejo no fim da madrugada rural Alta como sorrisos da juventude Que desconheço o rumo. Faz silêncio... Talvez eu seja amargo ou azedo E seja alguém meio velho e estranho Mesmo que ainda esteja novo e forte. Talvez seja um tolo, um sonso Ou um calado Que foge do barulho inconstante Do silêncio cômodo e distante De amigos que nunca foram meus.