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Mostrando postagens de novembro, 2020

Hoje e Agora

Hoje há apenas Cães vadios ladrando nas ruas. O silencio foi crescendo E já basta Como resposta aos meus questionamentos.   Os dias vem nascendo mais Mesmo que eu esteja Despertando com o sol Não mais ao leste.   As flores desabrocham insistentes Mais belas Sussurram à minha janela Segredos que o vento lhes traz.   Em tempo de andar, viver Não basta querer Mas ser O sonho que se tem A vida que se pode ter...

Frações

Ilusões Ou recados? Palavras que não ocorrem Gestos que não mais se esperam. E então será O sol ou a chuva De um novo dia Raiando ou molhando Nossas idiossincrasias. Voam as aves... Ou caminham nos ares Nessa falsa solidez de quem caminha com as asas No ar transparente e firme. Será então que nada Precise Fazer sentido. Os ciclos pulam Se fecham e recomeçam Sem que notemos o todo. E assim será Até que o sereno Desperte o estado do tempo Sorrindo Entendendo Sentindo Ou só vivendo.

Silêncio(s) formato(s)

Silêncio abstração... Lá vem as horas. Passou-se o tempo. Já segue o comboio. O ritmo é inclemente. Em pouco, chega a madrugada. A paisagem do verde Transmuta limitada Ao cinza da lua Perdida na paisagem... Silêncio mecanismo. É tempo de não ter pressa. Olhar para o teto E não saber se o tempo segue Ou seca as escolhas Os rumos, as palavras... Silêncio que se rompe No contato com os felinos Pequenos e tão fortes Desafiadores Amigos tão sinceros Que não se preocupam tanto Ao te ferir... Poderiam ser cruéis, Porém só são o que precisam ser.

Martingale

Dobre as apostas... A mesma história Não é possível. Já não faz mais sentido Que a mesma porta Esteja no mesmo caminho. Busque as respostas... Mantenha os planos Mesmo sozinho. Contorne as rotas Já conhecidas Vagas, dispersas... Dobre as apostas. Pois tudo que é cruel reluz. E as respostas Vagam no tempo infinito. Dobre as apostas. Você conhece todo o roteiro. Já basta o medo Que te impediu De caminhar Mais rápido e distante... Dobre a certeza Do incógnito. Dobre as apostas. A vida é incerta E os sonhos não. Os planos ficam se são palavras Sem direção Como palavras Ao vento, sem aplicação. Dobre as apostas. Tudo parece com a contramão. Sigo as respostas De planos Sonhos Desejos Que podem ser feitos No silêncio da solitude No olhar tranquilo Que mira o horizonte Num dia de chuva Ou de longo sol. Dobro a incerteza, Mas dobro o ímpeto De não precisar Provar nada a ninguém E seguir (ou fazer?) Todos os dias O tempo e a história Que a vida propõe.

Sem Título

Domingo que escorre com a chuva Esvaem caminhos Se perdem algumas lembranças. É tempo De caminhar atento Olhar o chão Pisar seguro As marcas que a vida já fez Pois a luta é implacável As escolhas restritas Os sonhos dosados A opressão Nefasta Quase infinita. E é no silêncio Que a vida surpreende Ou reconstrói. Nada que o tempo não faça É uma farsa na noite cinza Dos sonhos fugazes que vi.

Dias e Dias

Dias e dias. Sempre marcando de te ver. Olhos no espelho: Os mesmos olhos Que contemplam os teus Enquanto a brisa corre pela praia E seguro a tua mão À espera Que o tempo transcorra Fagueiro Como o nosso primeiro beijo Frente ao pôr do sol.

Imperfeita

Ela é imperfeita. Parece tão segura de si Enquanto caminha Majestosa Olhando pros lados, Pra frente Com suas rasteirinhas bem abertas. Já sei hoje Que nunca me apaixonei Por alguém tão real Leal Imperfeita E a graça está Nesse idealismo esgotado Nessa graça que a gente descobre Em meio a esse equilíbrio De escolhas... Eu hoje quero Ficar mui perto Dessa deusa tão real Humana Mulher dos sonhos meus.

Saudades

Os dias avançam em silêncio. O tempo foi passando E me calei. Não posso negar Que estou apaixonado E hoje, sobre ela Já nem sei Se há volta Ou só vontade. Só sei que ela Sim - ela é de verdade Um sonho tão real que me encanta No concreto da vida Que vou tendo.

Oscila

  Tempo agridoce.   Como maré em transição Como os gestos um dia Como um ativo vulcão...   Oscila a chuva Oscilam As flores que caem ao chão. Úmidas como este dia Suaves como algodão... A chuva vem lavando As portas e janelas Brechas escancaradas Lugares que não vi.   Oscila a chuva Oscila  

Brasas

A gente nota Quando a mensagem É lida Desprezada, esquecida No longo instante Abandonada. A gente nota Quando a entrega É sincera E o retorno nem parece sentimento... Vem com a noite O silêncio mais agudo. Ao longe, cães latindo. Aves soturnas cantam E aquele frio Embaixo da porta Vem sorrateiro Antes que haja o dia. A gente aprende. A gente pensa. A gente sente. A gente vive E assim as noites e dias São meros recortes De estados dinâmicos Do mesmo recorte, As mesmas impressões...

A Dama de Azul

A dama de azul Da testa brilhante Resplandece com seu doce E cansado olhar Frente à minha retina... Dona de sorrisos esparsos Dispersos Boca que chama e acende desejos Pessoa com quem posso ver o mar E me sentir tão longe Tão perto do infinito E à plenitude do azul que a gente vê...

Nexos

Música ao longe Ou perto? Há horas que não sei Apenas escuto Desapercebido O tempo enquanto névoa Caminha nas horas Em que não vemos vestigios De luz natural. Borboletas são raras Como noites belas Som da água do mar Batendo fiel e constante Nas rochas à beira Num ritmo habitual Indiferente Do tempo Em seus ruídos de silêncio.

Sem Título

Seria inconsciência se assustar Com as imprecisões da flor Que à margem do rio Ainda não sabe Que um dia irá Pra onde nunca pensou. Bem se vê Que ela não sabe ao certo. O certo apenas É o encanto Que transborda E me faz sentir vontade De segurar forte Pra que nada de ruim lhe aconteça. Somos como rios, Transbordamos, Trocamos muitas cousas, E ainda somos os mesmos Se estamos Sós ou perdidos Na luz ou na escuridão. Ela é um sol (Ou seria a Lua?) Não nota, talvez As próprias qualidades Não se percebe sutilmente, Mas me faz bem Mesmo ausente Simplesmente por ser quem é Basicamente por existir...

A Musa do (Meu) Universo

Ela veio... Do nada, o Universo a apresentou E ela A sombra da perfeição Na imperfeita finitude humana Abriu espaços Que eu nem podia Prever, mensurar. Quando vi Notei a vida recomeçar Com esse sorriso Que hoje me faz bem Como a Lua alta e cheia Que às vezes vagamente Contemplo...