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Mostrando postagens de julho, 2020

A forma de um sorriso

A doce menina Que preenche os meus dias É meiga, tímida, Tem medo de olhar nos olhos E encanta com seu toque doce. Nem parece Mas o tempo tem corrido Em meio à essa distância Que curiosamente nos deu motivos. E vou no silêncio das noites e dias De longas esperas Que pareço sufocar Espero te encontrar novamente Musa livre e consciente Pra que a gente de repente Possa caminhar Na direção do sol, Num fim de tarde no farol Na areia, ou na beira do mar.

Esperando a Gente

Já faz tempo que não te vejo. E mesmo assim, Sinto que caminhamos bem. Sem querer te prender A ponto de não saber A razão de querer Estar sem retroceder. Vou alimentando a saudade Saudável Que pouco dói E não machuca, Na espera do dia marcado Ou pelo menos esperado Por nossos sonhos Diretos, mais rápidos, Simples e práticos...

Eu e Você

Já vi o amor nascer algumas vezes. Nas mãos que conversavam Para além de olhares. Nas conversas longas Que atravessavam as horas, Sem pressa, sob impulsos Grandes, fortes, indefinidos. Vi o amor nascer Naquelas pequenas escolhas Que vão passando despercebidas, Até que a gente nota Que tudo vai acontecendo. Já o vi surgir da companhia presente Após o cansaço da espera ausente Em longos tempos de indefinível solidão. Vi o amor caminhando pelas ruas De todo tipo e modos. Mas também o vi morrer Em meio aos desencontros Nas palavras não ditas Em outras que não foram evitadas. Também o vi morrer Na espera ausente No estado descontente Na tristeza de não ser. E ao mesmo tempo Ele sempre deixa tudo lá Guardado nele e na gente. E é por isso que hoje Eu que já julguei Ter visto ele algumas vezes, Me coloco nos teus braços, Espero teu toque, Sustento meu olhar perante o teu. Pois de tanto ver Resolvi viver Sentir Estar com você.

Barbárie

Não precisamos de heróis. Tampouco de salvadores. Precisamos criar nossos caminhos, Ouvir nossos irmãos Das ruas Nas casas Nos nossos espaços. Não são economistas que irão salvar o povo. Nem os detentores de falhas fórmulas mágicas Que sempre prometem E frustram. Não é assim que o futuro se fará Melhor Menos turvo. Não é assim que a ganância terá freios. Também não é aceitando Tudo tal como se encontra. Nos comportam os Como a espécie que procura Aprecia O caminho da própria extinção.

Papel Alumínio

Tenho estado pensativo. Circunspecto, calado. Com saudade do toque de tuas mãos. Há palavras que não sei dizer. E há muita coisa para descobrir. Mas por enquanto você só precisa saber O quanto gosto de estar contigo, Pra aprender a crescer junto E ser O que sonho indica E o coração deseja.

Eu, Tu, Nós.

Ontem toquei nas tuas mãos... E assim, junto às minhas, Seguimos caminhando o pequeno vale. Tão leve teu toque, Tão sutil o jeito, Recuado olhar Que faz bater forte o peito. Me deixei envolver No teu singelo abraço, Esquecendo de tudo Enquanto o dia caminhava Impávido Rumo ao escuro Da noite aproximada. E por fim Depois de tanto tempo Olhei a noite Sem luar Mas intensa como os teus olhos Que me fazem sonhar...

Dedos, Noite e Silêncio

Dedos tocando o vento. A noite sem chuva avança Em espaços e silêncio, Não pressentindo mudanças. As horas estão calmas Como eu Tão torto Com esse silêncio Que não aflige E que até mesmo corrige O espaço das horas que se vão.

Sós

Sabemos que eu não sei Mas ontem pedi O teu cuidado A tua presença Para tempos de luz Dias de treva Noites de silêncio e euforia. Sabemos que é incerto O tempo As circunstâncias Mas quero estar perto Nas bem aventuranças Nas horas mais imprecisas Em que é preciso estar junto... E vou tentando acertar. Sei que vou errando aos poucos. E assim vamos encontrar As respostas Pouco a pouco...

Sem Saber

Nem sempre saberei o que falar. Em alguns momentos, preferirei O silêncio contemplativo Mesmo com o cansaço Que duas telas proporcionam. Não saberei agir certo a todo momento. Entrementes, quero ver se acerto O suficiente Para que me queira ao teu lado, Para que se sinta bem. Não saberei todos os dias Contar histórias como Sherazade Se bem que as dela não eram reais E eu trabalho com realidade. Mas se quiser Que eu caminhe Do teu lado Ainda sem saber aonde vamos Aqui estou Disposto, quieto e apaixonado, A tua resposta esperando.

Joelhos em Pescoços

Todos os dias Pessoas negras morrem. Quanto a isso, Já não surpreende. Surpreende o silêncio Quando pessoas são sufocadas Pisadas Espancadas Agredidas Até que o carrasco Em nome da Lei e da Ordem Extermine Ou - veja que complacente - Apenas intimide Quem nada fez, Apenas pecou Por ter nascido com a cor Que não é a do patrão ou presidente. É a cor do indigente, Das presas do turismo sexual, A cor dos detentos nas cadeias lotadas Sem esperança Justiça Ou oportunidades. É pra negar essa cor Que muita gente minimiza Joelhos em pescoços, E diz que é exagero Uma palavra de ordem. E é por essa cor Que o Brasil tem dado seus passos Construindo o futuro nesse instante, Mão de obra antes escrava, Agora escrava ou errante, Mas sempre confiante Que a vida vai melhorar. Não me venha com essas conversas De que negro é minoria. Olhe bem pro seu lado, Busque a genealogia, Deixe de criticarr quem luta Falando que é mimimi. Tire a bunda da cadeira, Pois a vida não é brincadeira E o camburão vem logo ali...

Cismando

Os gatos sobre os chinelos. A rua quase em silêncio. E eu aqui Pensando na sorte De ter te encontrado Num instante Inesperado Impensado Desgastado. Hoje trafego entre clichês, Mas evito deixar os pés Longe do chão. Sonho com o toque de tuas mãos. Parece simples, quase infantil. E no entanto Esses dias estranhos São desafios. Vou te tornando Parte de mim. Assim sincero Deixo o tempo se encarregar Das certezas que espero, Duas pessoas e um caminho De verdade Sem espinhos ou flores Em excesso Equilíbrio Que faz a vida vibrar e crescer.

Conjectura

Há muito tempo Não venho observando o céu Logo que chega a noite. Vem em silêncio, vem E acena, percebo A cena em que estamos Montando cenários Instantes profundos Para um outro momento Que desconhecemos. E vou me deixando Permitindo Tentando caminhar devagar: Só o tempo saberá Se o ritmo condiz Se as escolhas acertam Conjugam, despertam A certeza (Que não é um prêmio) Engenho de falhas De um duo que se dispõe a caminhar junto...

Quase Perfeição

Vou me percebendo Te imaginando Te sentindo Te encontrando. Venho observando Que sou refém E não me assusta Esse estado. Antes me preocupa saber Se os teus pés calçam As minhas sandálias. Assim, vou guardando impressões, Montando retalhos, Deixando espaços Pra que não se sufoque. Vou me encontrando Enquanto estou me perdendo Nesse teu olhar difuso, penetrante, Que por um instante Me faz voar Quase sem saber.

Silêncios

Hoje o tempo só remete a silêncios... Ouvir meus passos na casa, Deixar caminhar energias. Sondar o vento que passa debaixo da porta. Fechar a janela pras flores da rua. A noite tão turva... Não dá pra saber Onde estão as estrelas. É certo que a chuva cai, E faz um silêncio incomum na rua. Tão certo como o Oceano A poucos quilômetros daqui É o fado que afaga, questiona, Ensina, dialoga Sobre as certezas e os poemas.

Uci

Parece fugir Do caminho dos meus olhos O teu olhar Que me embebe no silêncio da noite. Tua boca fala e não foge. Me sinto bem, Noto o tempo que corre E o teu olhar que a mim acorre Nesses tempos difíceis Das nossas vidas. E vê... Mesmo que eu não note, Vou deixando claro Que sempre sonhei Com o teu olhar Mesmo sem saber Nem te conhecer Vejo em mim nascer Uma certeza grande Que nunca antes O vento, a lua ou o mar Trouxeram ao meu viver.

Teus Olhos

Teus olhos me seduzem. Encantam, espreitam. Percebo que estou enleado Quando preocupado fico Com longos silêncios, Enquanto o dia transcorre E a noite corre No seu ramerrão habitual.

Sem Título

Ruídos e ruídos. Meu pensamento longe. Te imagino a sorrir. Suavemente, sem pressa. A noite continua calma, Bem mais que os pensamentos dispersos Em meio ao tempo fugaz. E agora vejo Seus olhos de mulher querida Em todos os rostos Nas ruas dessa cidade Densa, como a tempestade Que caiu dias atrás.