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Mostrando postagens de maio, 2020

Mais um

Um ponto fora da curva Só será um ponto Se dele me esquivo E não questiono. E assim posso seguir Ignorando ou descobrindo Meio assustado ou pensativo Sempre incerto nesses tempos Nos quais a noite e o dia só mudam As cores Mas seguem próximos e iguais...

Tudo Bem

Perdendo amizades. Caminho sem volta. É assim a vida. Deixo essa porta Pronta pra saída. Há silêncio em tudo. E às vezes é melhor Menos murmurinho Menos desengano Olhos focados Noite sem sobressalto. E assim o tempo vai. Recrio, recomeço. Esqueço, atravesso Os dias... Vivendo.

Ellen

Poxa, camarada. Na tradição bolchevique O atrito era normal. As discussões intensas As palavras mordazes Mas antes dos golpes do Stálin Todos conversavam Discutiam De forma clara e sadia Possíveis caminhos Para o grande futuro da humanidade. Hoje Mesmo sendo dois vermelhos Há duas bandeiras (Se bem que não vale a pena discutir por isso) E eu entendo Me exalto Me excedo Discuto Mas desculpe, camarada Respeito Suas escolhas E peço Que não me leve a mal Quando falo coisas que desagradam Quero o seu bem ou simplesmente me exalto. Mas percebo Pelo seu cansaço ou indiferença Que vagas desculpas não fazem a diferença. Porém, nada custa tentar Nesse dia de luz e brilho Arrancar algum sorriso Por trás duma tela de celular.

Microcosmo

Pessoas caminhando. Já é madrugada... Crianças, gatos, vozes. Silêncio relativo. Motos atravessando a calmaria. Vida sutil e manifesta.

Enternecido

Ando romântico como o diabo... E isso sem ter qualquer razão. Fico melancólico. Assisto, torço Por histórias com final feliz. Não posso ir pra rua. Olhar a velha e misteriosa lua. Mas - vê Meu coração se enternece Enquanto a noite desce Fazendo imaginar Idílios, histórias, Momentos, memórias Para um incerto futuro.

LISARB

Sou de um povo que não sabe Qual pecado cometeu: Vitima de tantos religiosos Pros quais tudo é vontade de Deus. Tudo que gera morte e injustiça, Desigualdade revestida Na palavra meritocracia Proferida por quem pode comprar Serviços Básicos Complexos E para os quais sempre sobra Dinheiro Perspectivas Chances Sonhos realizados na vida. Faço parte de um país Que não tem senso ou direção Dominado por ignorantes Corruptos Delirantes Figuras alienantes Que encontram reflexo Em preconceitos E crenças aberrantes Assustando Maltratando Matando A população. Sou de um país Que sempre se reclama como o futuro Cheio de salvadores da pátria Heróis defensores da família (Da própria, entenda-se). De mitos que vieram pra ajudar Quem sempre teve tudo em suas mãos. Pelo medo Violência Um completo desrespeito Por qualquer ser humano. E assim nesse meio Real Incerto e cruel Vamos aos poucos Tentando sobreviver Amortecidos Pelo que não devia nos fazer acostumar...

Hoje

Luzes do dia surgem por todos os lados. A manhã surge azul, Como a água em alto mar. Ainda há flores Caindo Seguindo seus destinos. Porém disfarço, finjo e deixo passarem E vou mantendo meu silêncio, Reflexo de uma paz quase esquecida.

Estrondos

Lá fora, a tempestade por vir... Aqui - silêncio nesta casa De solidão e concreto. Lá fora - o som dos trovões Sem trégua ou parcelamento. Aqui, raro movimento Dos gatos que correm alegres. Alguns cães nas portas das casas Cheios de medo e cansaço Sem rumo E lá vem a chuva Pra lavar toda e qualquer certeza. É tempo de pálidas palavras Meias emoções e imprecisos sorrisos. Tempo de medo Sonhos suspensos, Vôos no escuro...

Mocajituba

Naquela velha casinha Bem no meio do vale Eu aprendi sobre a vida Afrontei as certezas Busquei um futuro diverso... Nas trilhas do campo, Nas ilhas que tudo corre, É vida que se renova, Fauna plena em sua beleza. Há tempos não sei das casas Pessoas Suas histórias Imperfeitas mas sinceras Na terra  em que o meu olhar Se encanta com as palmeiras.

Madrugada quase indigesta

Cães ao longe. A madrugada caminha e se impõe, silenciosa. Lembranças passeiam e levam A caminhar por toda a cidade Enquanto recluso divago E curto o silêncio quase absoluto. É uma noite igual a tantas. E mesmo assim, tão diversa. Assim seguimos, Assim mudamos...

Particular

Silêncio na rua. Prorrogado, quieto. O ruído postergado Para madrugada em que vadias motos Contornam, rodeiam as casas Apitam e assustam Pessoas insones Distantes dos sonhos Com medo constante Do que talvez será...

Enxurrada

Lá fora a chuva cai Forte, sem pressa... Como lágrimas que vi tempos atrás Pesadas, intensas... As luzes lá fora se confundem Com os raios que vão conduzindo a noite. Baila a vida, assunta o tempo Escondem as horas Sua aparente impotência... E fico contemplando o silêncio, Sentindo cheiros com a memória Do teu toque, Absorto com afagos Dos quais hoje Já não tenho qualquer ciência. Chove forte e firme Como a solidão que habita e consolida Meus versos e receios Compõe em silêncio escolhas e meios.

Medo

Medo Que constrói e afasta Prende e desata Assusta e refaz Todo o leque de escolhas De que dispomos enquanto Sentimos e vamos Buscando Acreditar num vago Sonho ou esperança... É medo O que nos molda agora. Não o otimismo irresponsável Que apenas sonha e crê. A dor no mundo Não nasce do nada. E tudo parece pequeno Perto desse receio Que angustia e tinge Nossas escolhas e gestos.

Tempos

São tempos turvos, pesados, escuros... Tempos onde a poesia quase se afoga Em que a gente senta e chora Ou pensa e se perde Sem saber o que fazer. São tempos onde a saudade Impera e bate. Tempos em que o amor tem sofrido Com perdas e distâncias. Lágrimas não bastam Pra essa dor que oprime tantos peitos. São tempos de dores e medo. E mesmo sem poder Vamos crendo Que logo mais vem um novo dia Mistério e presente da vida.

18 h

Os pêndulos do relógio Correm sutis às dezoito horas, Hora de misericórdia, Do silêncio vivo e natural... Lembro das lagoas à beira do mato, Dos bois correndo na estrada de terra, Da indiferença das cobras Trafegando à noite pelos caminhos. Mas aqui em São Luís Raro é o verde e o pacato: É pó de minério e asfalto, Uma tristeza sem querer.

Estranha Noite

Noite em silêncio... Motos velozes preponderam na rua. Silêncio e vida. A lua tão cheia Não impede que os homens Briguem por nada ou tudo Quando lhes parece forte e real. A noite avança sem medo. O silêncio contempla as horas Lentas, opacas Livres em sentido e ritmo. A noite abraça o silêncio, Enquanto as horas opacas Avançam sem medo Como motos na rua.

Desconexão

Sabe a noite que meço As palavras Os gestos Sempre que não sou provocado. Povoa o silêncio a noite Ao som das cigarras Incansáveis Vencidas pela Lei da Natureza, Alheias a liberdade ou sonhos. Cães ladram a algumas quadras. Rua sem viva alma a caminhar. Todos em casa, sós. O medo nascendo atrás das portas. Solidão trancada, Vida a se refazer.

Ame a Chuva

A chuva cai... Cede às vezes, E volta a cair Como se não houvesse amanhã. Nem parece Mas faz tempo Que fiz qualquer coisa Muito intensa Quando olhei certos olhos E caminhei. Hoje o frio me lembra Das noites de tempos passados Com as longas conversas e planos Que foram ficando jogados. Não me queixo... Já faz tempo. Não assusta mais. Vou deixando que os dias moldem e transformem. E assim Quase largado Vou criando meu estado de paz Enquanto chove lá fora Lavando o passado Que fui deixando na rua.

1° de maio

Hoje Celebramos mais um dia De memórias da luta Que guia O nosso povo ainda hoje. Celebrando a luta e o trabalho De quem produz a riqueza E sempre sendo explorados Constroem o mundo que temos. Gente aguerrida Que sonha Com dias melhores E vive como a vida lhes permite. A este povo e essa labuta Meu respeito e meu carinho Ao burguês Nada dedico Além do desprezo e asco todos os dias.