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Mostrando postagens de julho, 2019

Tempo Presente

Lá fora o mar avança... Vem forte, com ondas que assustam... Adentra o tempo e corre... Os olhos das pessoas estão tristes... A vida cada vez mais escassa, A empatia enlatada em fotos Dispersas em redes estranhas. Os tanques de guerra a postos À espera de um tosco pretexto Que esconda os reais motivos Para os saques que a ganância impõe. Enquanto isso, o povo anda cansado Tão fraco como sempre sonhou O patrão que nunca sofreu A dor de não saber a pobreza E o cansaço na luta diária Por um pedaço de pão...

Os Barcos

O barco navega distante e lento... As ondas suaves e o tempo estático. A luz do dia surgiu há pouco, E com ela os sonhos que vem do mar. As ondas oscilam no dia de sol... O barco suave, o tempo dinâmico. A luz do dia sumiu há muito, E sob o luar e as estrelas os sonhos  se reinventam. Os ventos suaves percorrem a costa. Pescadores seguem em busca  do pão, Em barcos distantes e dinâmicos... As horas caminham em passos lentos, Sobre as ondas estáticas Os barcos cheios de sonhos e vida.

Desabafo

Pessoas morrendo de fome... Ônibus lotados, o inferno em movimento. Disparos e violência de graça. O ódio aos sonhos e à esperança. Pessoas morrendo de frio... Mas o que importa é a bolsa que sobe. O salário de alguns que aumenta Enquanto outros nem tem mais trabalho. É justo, meritocrático, dizem. Que justiça é essa que alimenta A miséria de milhões e a ganância De alguns?... Eis a dúvida. A chuva cai... Ploc... Ploc... Ploc... Pessoas morrem de fome, frio e sede. Mas o importante é que estamos seguros e com ovo no prato, E o patrão a cada dia mais rico. Afinal, que mundo é esse, Tomado pelo absurdo, Alienado de tudo, fragmentado no caos? Quem somos nós, afinal? Estamos calados, omissos... O que fazemos pra mudar? Pra onde vamos enquanto Matamos tudo o que temos? Qual futuro queremos Ou - esquecemos - de sonhar?

Os donos do mundo

Os donos do mundo Não tem medo dos seus insanos desejos De suas imponderáveis manias... Os donos do mundo Buscam a guerra Contra tudo o que é certo Pois lhes basta o lucro E a satisfação na morte De pobres inocentes em batalha... Os donos do mundo Tem carteiras de investimentos Espalhadas pelo mundo Vivendo da especulação Matando pessoas de fome, frio, abandono, Se acabando aos poucos Cada vez mais perto do silêncio que grita. Os donos do mundo Juram que são bons. Geram alguns empregos Mas só porque precisam De alguém que - explorado - consiga Aumentar suas riquezas... Os donos do mundo Não se importam se destroem os ecossistemas. Basta que as verdinhas virtuais Se multipliquem continuamente Para que esbocem um sorriso mesquinho De donos do mundo que são.

Sigo

Sigo sozinho Meu longo caminho Confrontando o vento Pisando espinhos... No final das contas Sempre andei sozinho Calmo, melancólico Leve e em silêncio. No final das contas Sempre andei sozinho... Não me serve um recomeço Quando tudo se anulou Sem mistérios, apenas com a tua descrença. Sigo o meu caminho Confrontando o vento Pisando em espinhos Melancólico, em silêncio Leve e calmo. Era doce, mas se foi. Como tudo que é doce Uma hora alguém para No momento em que enjoa... No final das contas Sempre estive sozinho Sem ajuda de fato Largado, esquecido Nos momentos mais tensos Sem gestos de carinho, Só cobranças aos montes... Sigo o meu caminho.