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Mostrando postagens de dezembro, 2018

O Ano

O ano foi cheio de flores... De dor, luta, amor e esperança. O ano foi suave - como um cacto pequeno. Ano de sonhos, fadiga, recato... O ano passou como um dia. Ainda ontem, tinha rosas nas mãos. Hoje, a consciência tranquila Depois de escolhas certas. A gente se esquece de olhar o outro: Seus sonhos, desejos, em casa, rua, trabalho ou lazer; Vemos a fome, a nudez, a pobreza: De carinho, respeito, do estar presente e ser irmão. De resto, tudo passa. E o que sobra no final das contas, Além de histórias inesquecíveis ou rotinas a serem esquecidas?

Flores no asfalto e céu rosado

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Flores brancas caem dos galhos    [Adentram o chão de concreto e asfalto, Afogam o impacto do tempo passado, Perseguem o ritmo natural. Quisera eu entender a sua lógica Por algum meio pouco técnico - E ver na vida um ponto aberto Às interrogações que crescem,  espantam, afligem. Hoje o que temos ao nascer do dia Além de flores caindo ao chão, É um céu rosado de poesia, Melancolia - e solidão.

À beira do Fascismo

O sol balança e bagunça o dia. Ruídos de trânsito intenso, temeroso, Soam os sinos das catedrais, Apinhadas de gente Com medo, sem destino... Tanques de guerra talvez... Pedras no caminho, gente mutilada, E o que vem com a resistência? Talvez as flores nas mãos... Ou o silêncio que aflige e mata. A paz vencerá o ódio, E o amor vencerá a guerra Nessa velha sesmaria A qual chamamos - Brasil?

O olhar

O tempo se comporta calmo e são. O dia nasce limpo, seco, mas suave. O vento afaga num terno abraço. A vida caminha com poucos receios. Quem sabe as palavras assomem Numa manhã, de repente... E o mundo acorde tranquilo ou indiferente ao caos. Ou seria o olhar de quem vive? Transbordando de encanto e palavras, Recheando de amor as ruas antigas Com o olhar humilde e constante, Buscando o horizonte dos versos que vem.

Do Natal

Embaraço as palavras E observo o tempo - mais uma vez tudo passou Pelos dedos, medos, pelas cores e sons. As pessoas mudam ou seria apenas A velha máscara? O mundo disfarça em silêncio ou caridade Os horrores e a ganância de alguns, Que renegam a justiça e a partilha. Chove como a certeza de que ainda somos Todos os mesmos de há pouco, De meses e anos atrás, Que lembram e esquecem do todo, Afagam a mente com uma falsa paz. As palavras ditas repetem lugares comuns Que fazem bem e acomodam A silenciosa inquietação do ser Nessa multidão de estranhos indiferentes, Dispostos a esquecer o todo Enquanto o mundo segue Nessa confusa ebulição...

O Hoje

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O dia se conecta à luz renascida. A noite se esconde com a lua em relance. O cansaço da insônia turva a visão E o dia adentra solitário e lento. As fugazes idéias de alguma chegada São apenas pensamentos que voam ao longe, Distantes e sonsos, como palavras ao vento Ou velhos sintomas de sonhos imaturos. Navega o tempo à procura dum caminho, Impõe ao silêncio a ação e o mistério, E esconde nas corridas do vento Recados que a boca não fala, Sorrisos e mágoas sufocados, Reféns das palavras não ditas E dos gestos nunca vistos...

Tua Falta

A léguas de distância, Sinto falta dos teus longos cabelos, Escuros e que transparecem A força da mulher que é. Voam as nuvens rumo ao sul, Seguem as aves longos caminhos, E a tua falta, musa real, Fere, machuca como espinho. O teu olhar gravado em nuvem Desafoga a saudade esvoaçante, E espero as horas passarem leves, À cata de um sincero reencontro. E sonho calmo, sem grandes suspiros ou descompassos, À tua espera, doce quimera do meu bem querer.

Noite de Dezembro

O silêncio da noite se quebra Ao som continuo de carros na rua, Pessoas que chegam e saem das casas, Cigarras entoam diversas canções. Contemplo as indiferenças. O olhar para si mesmo - apenas, Esquecer ou alienar sentimentos de outros, Rodopiar a ciranda do tempo, Inventando desculpas Que justifiquem o desinteresse apático e manifesto. O silêncio e o caos dividem a noite Avessa ao amor, suave ao tempo das chuvas, E dividem as certezas na contemplação das nuvens Que agora - por ora se vêem...