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Mostrando postagens de janeiro, 2018

Dissemelhanças

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Enquanto o dia escurece, Enfrentando a chuva que está por vir, Distantes passos trôpegos Seguem intrépidos em meio à campina. Avisto um distante horizonte, À sombra de flores que enfrentam As nuvens dispostas no céu, Cheias de furia e ruídos. Basta a contemplação dessas flores Para o dia possuir um sentido, Em meio às divagações que diluem Frente às gotas de chuva que começam a cair...

Compassivo

Teu olhar indifusível Procura uma verdade concreta Em meus modos abstraídos. Passo horas a fio Falando muitos disparates Apenas para ouvir a tua voz. Me  escuto- vejo- sinto De minhas verdades- distante, Do teu coração- mais próximo. E encontro limites - numa história Onde não há... Contemplo tua fronte Ao ver a lua e as estrelas, Guias do teu coração, Luz que acompanha o meu olhar. São Luís,  Junho de 2016.

Melancolia

Avisto o mar que, além, Conflui com o horizonte numa só direção. A chuva cessou,  mas as lágrimas persistem, Quando tudo o que fica são o silêncio e as lembranças. Dia sereno de dor profunda... Vago mistério da vida, Incógnita real que permeia o caminho De quem ainda está aqui. Gemidos,  sussurros, soluços, choro Compõem o momento de dor intransponível, Liberam os remorsos das gavetas, Rompem o silêncio do momento sofrido. A chuva cessou,  mas as lágrimas persistem, Quando tudo o que fica são o silêncio e as lembranças, Nesse vago mistério da vida, Enquanto avisto o mar, que,  além, Conflui com o horizonte numa só direção.

É Ela!

É ela quem anda distante sobre a calçada Com seus passos decididos Sem olhar pra trás... É ela quem segue com toda a graça Indiferente ao que se passa em redor, Distante da atenção e suspiros Dos transeuntes que contemplam A sua imperiosa e humilde beleza. É ela que, com seu passo firme, Encanta em silêncio os meus olhos, Medrosos na tua presença, Anseiam pelo mudo reencontro Do medo com a indiferença, Curiosa rapsódia de enredo incerto, Calma contemplação em meio à turbulência.

Domingo

Me disseram um dia Que o amor era decisão. Essa frase guardei, Mas confesso- deixei Numa velha cômoda Como quem deseja esquecer Um velho porta retrato. A saudade arquivada e contida Veio à tona em tons vermelhos, Dominou o caminho que trilhei E me trouxe de volta ao teu amor, O qual era refém do medo De romper com velhas histórias Que nunca me deram paz.

Sábado

Os passos do dia surgiram solitários Em espaços vazios, vagando no caminho. Vagos sorrisos de alegria medida Deram o tom da manhã cinzenta. Um olhar penetrante de medo e terror Marcou as primeiras horas, Nas quais o sono se sobrepõe À luz do sol que brilha no horizonte. Calma solidão trouxe à tarde o torpor. Tranquilo silêncio de quem nada deve, Mas o isolamento mudo assusta, Quando família e amigos ausentes estão. A noite trouxe suspiros de alegria De forma leve,  sem cobrança... E resplandeceu sem a luz do luar, Segura d e seus misteriosos encantos.

Sexta Feira

Dia flexível entre sol e chuva. Leve,  lento,  triste... Busco em meio às pessoas que passam Um sorriso sincero de amizade recôndita. Em meio à noite que completa esse dia Leve,  lento, triste... A cidade se esquece da vida Já frágil e incipiente. Muitas variáveis tornaram o meu dia Leve,  lento,  triste... Mas enfrento essa solidão Que perscruta o meu caminho, Amiga inesperada de todos os dias.

Quinta Feira

O dia correu altivo Em meio a surpresas e sorrisos. Não digo que o silêncio Se fez ausente, Assim como tortos cumprimentos Presentes ao longo desse tempo. Meço os compassos no descompasso Das alegrias que guardei, E trago os sustos da noite tumultuada, Refúgio solitário após o dia corrido, Contrastante no ritmo do tempo,  Calmo esquecimento do passado amanhecer.

Quarta Feira

Espaçadas emoções Vivi no dia que passou. O silêncio se sobrepôs Aos desejos mais profundos. Vários gestos solitários Compuseram esse dia Tão cru e real, Sem musas ou companhia. Observei novamente a campina Ao trilhar um conhecido caminho, Triste gesto de silêncio, Para mim que sou sozinho, Buscando um novo horizonte, Esperança de menino, Distante da utopia De ser refém do destino.

Terça Feira

O sol do meio dia resplandece A luz dos olhos meus, Assim como o faz A tua loura fronte Com seus parcos sorrisos E palavras medidas,  Nos teus modos discretos, Com um jeito quase hostil. Percebi no teu sorriso Um reverdecer das campinas Que se estendem até onde Os olhos não podem ver... Busco o doce recato No silêncio dos teus braços, Doce aconchego em que se pode viver.

Segunda Feira

Hoje ao fim do dia A leveza de uma simples conversa Tomou o espaço da monotonia. Palavras sinceras,  sorrisos fraternos, Calmas discussões tomaram o lugar Do silêncio atroz- revivído Constantemente no descompasso dos dias. Vi o sol distante flertando as árvores Numa melancólica contemplação... E percebi - que o momento basta, Quando nossos desejos podem ser apenas ilusão... Quem sabe seja a hora de decidir Se o silêncio e a solidão dos meus passos Enfrentam sozinhos o espaço da vida Com as pedras do caminho que sigo, Desbravando os mistérios dos dias comuns.

Noite de Sexta

A noite agitada de passos contíguos Não me deixou guardado no morno silêncio. Teus cachos rebeldes sobre a pele negra Acompanham,  falam,  sorriem, transmitem vida. Não importa a falta do luar esta noite. Bastam olhares profundos,  palavras sinceras, E gestos calmos, naturais, Como frutos caindo das árvores. Pude perceber no teu mais leve gesto, Um jeito sutil de viver o silêncio E de contemplar os momentos da mais pura emoção. Bastou ver em teus olhos Esse medo profundo Esquecido nos sonhos ou no coração.

Onze e Meia

Palavras saltam e fogem, Quando tudo o que vemos Nunca foi verdade. Quente dia azul... Doce dia de sol... As horas gritam o silêncio Da minha tenra solidão. Papéis  sussurram ideias, Acompanham meu atento recato; Mas não estancam o vazio Dessa arraigada melancolia Que subsiste em mim.

Ano Novo, Novo Horizonte

O céu azul de um novo ano Traz incertezas desiguais No horizonte distante Dos meus furtivos passos. Tudo enfim faz sentido, Quando me percebo contemplando o silêncio, Contando espaços,  cortando palavras, Planejando os passos... O dia sorri. E o contemplo,  metódico, Como se houvesse chuva caindo ao chão. As flores penduradas teimam em não arriar De sua imponência coletiva. E não é hora,  percebo,  de ser tudo o que quero. Mas por agora,  preciso Seguir os meus passos Distante da contemplação do horizonte azul. 1 de Janeiro de 2018.