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Mostrando postagens de dezembro, 2017

Panorama

O dia corre calmo... Como os meus pés que doem. As folhas das árvores - caem e distantes E seguem o rumo que lhes impõe o vento. O sol de dezembro se impõe Ao dia soturno e tranquilo... A vastidão do campo, A sombra da copa das árvores, Tudo me atrai e remonta ao mais claro silêncio. O ano seguiu seu curso como criança indo à escola. Tão certo e espaçado duma forma quase inverossímil. Distante de antigas escolhas, Errando apenas aonde era preciso. Não posso saber os próximos passos. Nem meço o cansaço e o desespero Que deixei guardados em algum canto escuro Um porto seguro onde me esqueço.

Um Dia Comum

Suave, o vento soprou em meu rosto. Não trouxe acres lembranças, e isso Me torna grato. Caminho sobre a grama que reverdece, Sob o calor desse sol de verão. Tudo renasce, como as incertezas Que caminham rumo ao ano que virá. Nada pesa além do silêncio, Mas - basta a certeza da liberdade Esperada há tempos distantes, E tudo passa a ter um brilho diverso Do recomeço tão esperado, Abrupta mudança de rumo. Caminho sobre o medo, inclemente. E sigo em silêncio, devagar... Meço os passos, busco o oriente Quando vejo o azul do céu e o cinza no mar... Passos espaçados, doce recato Frente ao futuro - que tudo esqueceu.

Acédia

Sobrevivem palavras vagas Nessa tarde quente e solitária... Ventos correm em direções diversas E desencontram meu medo mais profundo Nestes versos feitos de algodão. O sol distante queima os pés descalços De quem pisa no asfalto desprevenido... Meus olhos correm em torno do espaço, Melancolicamente, buscam o teu abrigo. Vejo que longe está... Quando perto desejo. Percebo nos gestos que não vejo A fragilidade do sentir em suas soltas palavras... Vejo no horizonte estrelado o teu doce sorriso, Distante de mim, e próximo Dos meus sonhos mais profundos. Talvez não baste amar... Se a distância impera, O silêncio amarga E a tristeza dessa tua distância Que cresce como bancos de areia, À beira da praia, em frente ao mar cinza.