POT - POURRI DO COTIDIANO
Já não me ocorrem as mesmas ideias de sempre... Já não falo tanto de amores. O tempo corre insensível diante da gente E quase não percebemos As mudanças, os detalhes, Amigos distantes, As surpresas do amor Que hoje me assustam Porque sempre parece que não foram feitas para mim. A gente cresce, Muda, os cabelos ficam brancos... Se percebe diferente, Em silencio, quase sempre ensimesmado, E no entanto, o tempo correndo Com as longas distancias E os frágeis laços humanos Me afligem, desconfortam, Deixam quieto e estranho. Vou vivendo o dia-a-dia Inquieto e em silencio, Pouco atento à paisagem Fechado, enquanto passo noites lendo Em calma e intempestiva solitude Sereno e cismando Diante de respostas Que apenas o incerto futuro Trará, Como o beijo da mulher amada Que ainda não sei aonde está.