Chovem os Nossos Fracassos
Chove... E chove tanto, sem que a chuva fosse esperada. Ela vem, E lava as almas tão áridas, E dá o frescor às pessoas, E corta um pouco a dureza do sol, À dureza dos silêncios cotidianos, Enche as pessoas de verdade De vontade, de querer. Chove... E me sinto leve Com todas as gotas que caem sobre o telhado E que, ocasionalmente, numa goteira Caem sobre mim. Eu me sinto calmo, Muito tranquilo, Vou sendo eu mesmo. Um eu que se sente às vezes afastado De si mesmo, E que pensa em como tudo é falho E talvez seja essa a beleza. Chove... E me procuro Em meio aos pensamentos dispersos, Sutis e segmentados. Pareço circunspecto e cabisbaixo... Nossa geração deu errado Pois quem veio antes de nós Também não se importou Com tudo o que acontecia E agora somos -- Nós e os que vêm em seguida Meros escravos da tecnologia Que não sabem agir para mudar Mal sabem pensar E se perdem em mundos individuais Que a nada levam Que nada mudam na ordem do dia. Chove... E ...