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Mostrando postagens de fevereiro, 2023

Plácido Rebuliço

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Plácidas águas, real sossego... Longe, Porém não tanto Os animais pastam sossegados... O dia está escuro. E faz calor... As nuvens anunciam A chuva que cairá a qualquer hora, Que não avisará quando chegar. O solo encharcado anuncia A vida escondida sob sua capa. E tudo nesse todo se completa, Como esse dia cinza Que mais tarde passará...

Para a Mulher Que Ainda Não Conheci

A chuva vem caindo serena... E o sereno me faz divagar... O que fui, quem eu sou, Já não são questionamentos importantes. Fui bordando algumas histórias Sempre acreditando Sempre esperando dar certo... E mesmo assim - após cada dor Uma reclusão... Após cada amor Uma desilusão Ou apenas o cansaço de tentar Mais uma vez... Não sei como será você, Quando vem, Onde está... Nem sei a sua estatura, Nem mesmo imaginar Como serão os olhos que um dia Poderão me hipnotizar... Mas sei que quando te ver, Quando enfim - te perceber Vou me redescobrir Ao encontrar com teu sorriso, Mil respostas hão de vir, O tempo novo soprará E um novo sol irá surgir.

Retrato

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O dia finda... Os raios solares Se ampliam e fecham o dia... É a hora das Ave Marias, Em que o passaredo sobrevoa, Alto e longe... E na lagoa Brilhando com o espectro solar Girinos vão nadando - e crescendo Vão dando cor e tom aos brejos próximos... Os mistos de floresta e campina Brilham com o verde intenso Desse verão Em que as águas caem tão generosas Que a vida sempre tenta surpreender.

Procuro

Procuro as palavras certas Para compor um poema Que adoce um pouco Esta chuvosa noite de carnaval... Procuro os versos precisos Que coexistam com os cantos das cigarras Com as rãs e sapos Em seus sons habituais E com a radiola Distante apenas meio quilômetro Tocando algum reggae que lembra a adolescência... Procuro um equilíbrio desconhecido Nos versos, na chuva, Na disputa entre o real e os sonhos Que a vida nos fornece E o tempo molda às escolhas Que vamos podendo fazer...

Não Sou

Não sou um poeta solar... Tampouco gosto de falar Sobre a luz refletindo nas vidas burguesas, Aboletadas em seus velhos códigos, Aprisionadas em vestes formais e sem graça. Não sou um poeta que faz Palavras resplandecerem... Vou costurando palavras, Movimentando os espaços Nos meus versos que não rimam, Leves, livres, que me afagam. Tampouco sou o poeta que faz A arte pela arte batida... Rebatizo solidões, Vou escavando em qualquer lembrança Qualquer sorriso, vagas sensações... Escrevo como quem ama Em meio ao turbilhão...

Silêncio na Cidade

Faz silêncio na cidade... Todos cansados? Todos com sono? Talvez nem tanto, Mas recolhidos das horas mornas, Quase todos encontram seu canto... Lá fora um frio... Junto à fome A sede de água limpa, potável... Quem está na rua, Quem não se esconde - Segue sem opção... Lá fora a vida é dura e áspera Todas as horas Para quem não pode escolher... Lá fora a poesia Prosaica e melancólica Da vida nitidamente oprimida Por tanta devoção ao mercado... Por tanta prisão a preceitos Que a cada dia mais miserável Torna essa sociedade que aceita...

Crepúsculo

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As aves voam no céu avermelhado... O dia se encerra, As nuvens destoam, A noite emerge... A revoada some... O horizonte de nuvens dissonantes Vai dando espaço à Lua majestosa... O vento frio e diurno desvanece... Em alguma igreja, se reza uma prece Do rito costumeiro do rosário... E as cigarras, os sapos, as rãs Vão tecendo Ao redor dos lagos, brejos e igarapés Suas ancestrais canções Enquanto a noite vai se escrevendo...

Os Sapos e a Noite

Lá fora os sapos coaxam Convidam a chuva a cair... As estrelas parecem escondidas, O céu sem aves cortando o espaço... E eu aqui sem saber Se há coragem em mim Para enfrentar Tudo que ainda não sei; Um horizonte inteiro por descobrir, Cores e sabores por conhecer, Versos novos para redimir De todo sofrimento represado Um eu em conflito Que em silêncio, ficou marcado Por tantas coisas que engavetou De silêncios que nunca pediu.