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Mostrando postagens de novembro, 2022

As Mãos

As mãos que fazem a farinha Da mandioca envelhecida São as mesmas mãos cansadas De gente que precisa ir longe Para encontrar um hospital mais ou menos Decente Ou uma escola menos precarizada... As mãos que fazem a farinha Conhecem o trabalho e a indiferença De quem tão longe Não conhece a labuta Não sabe o custo E simplesmente consome O seu produto Sem se ater à sua poesia...

Indiferente

Indiferente ao momento Indiferente aos contextos  Vou caminhando descontente, Vou me trilhando pelo avesso... Cansado de estar muito longe Dos sonhos que ainda almejo Vou escavando vontades Renovando velhos desejos... Os dias correm intensos. E mesmo assim, não me sinto Tão forte e produtivo Quanto em meu tempo sem medo... Saudade da velha casa. Da poesia espalhada Em cada canto, parede... Na velha casa deixada Na Ilha onde me encontro Quando nela lá estou. Perdido nesse lugar Onde cresci e não faz Sentido permanecer, A ignorância é atroz E o medo de me perder De mim próprio  É intenso - errático, como bicho feroz...