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Mostrando postagens de abril, 2020

Amores Ao Vento

Eu chorei Eu escrevi Eu amei... E, no entanto, Dia após dia, Mês após mês, Ano após ano. Tive tanto desengano Que agora cansei. Olho o mundo colorido, Mas o passado dolorido Já me calejou, eu sei. Ao amar, não fui nenhum santo, Só que hoje em meu canto, Foi quando enfim pensei: Se com tanta mágoa e pouco pranto, Desapego e muito engano, Será que um dia mesmo amei?

Vida

A vida com medo. As portas fechadas e as vidas reclusas. Pessoas escondidas em seus universos Tentando preservar seu maior tesouro. Nessa hora, a pressa não importa As horas caminham lentas Em tom puxado, incerto. Mas a vida com medo Se esconde, guarda, Espera o tempo E vai sem pressa Se preservando Se protegendo.

Fragmentos

Chão. Formigas. Resquícios de bolo. Um violão no canto. Apenas a mente distante. Teto transparente, sem luar.

Os Gatos

Gatos pulando. No chão Nas coisas Na vida. Pedidos, mordidas. Companhias sinceras Para todas as horas   [ E universos de situações. Se me pedem carinho Não disfarço e passo longe: Já fico esperto E logo faço um comida. Se pedem a comida Me prontifico Não deixo a espera longa e cansada Tomar o tempo e as forças. Não sei como poderia Um dia ser tão só Desprovido desses olhos meigos e hipnóticos Com suas bagunças sinceras E sua independência cativa.

Jesus e a Vida

Vejo Jesus passando fome Nas esquinas do Centro Cego Aleijado Ignorado Morrendo todos os dias. Vejo a pressa em viver Esquecida de tudo Olhos que fogem da observação Mãos escondendo com medo da partilha. Ai de quem promove Um mundo assim asqueroso Em que a igualdade é um pecado E a avareza a maior das virtudes. Matam Jesus todos os dias Mesmo no dia da ressurreição Vivendo às custas da labuta De quem Nem dignidade possui ao morrer Depois de uma existência Cheia de labuta e lágrimas. Ai desses ricos Que enganam os pobres Roubando suas vidas e pães. Matam Jesus e a humanidade Com a sua ganância Sem fim nem razão.

Poema para o Trabalhador

Há sangue Em cada humilhação Vivida pelo trabalhador Cansado Desempregado Ferido (Ou quem sabe tudo isso!) Enquanto os banqueiros só engordam Suas imensas riquezas Com o roubo De nosso suor multiplicado Pelo infinito ao quadrado E assim vamos Aceitando Parecendo cada vez mais desumanos Sem saber Quantos sonhos já perdemos nesta vida.

Quero

Meu coração Não quer mais ser escravo De olhares e caprichos, Sorrisos, desejos e palavras efêmeras... Quero antes a certeza Da conquista dos objetivos, O sorriso de amigos fraternos E as mãos dadas Sem medos ou preconceitos Buscando novos preceitos, Sem guerras, fome e medo, À procura da fórmula - segredo Da plena felicidade, Presente para a humanidade Há muito sedenta de paz, Justiça, mãe do homem novo, Partilha sem vã caridade...

Sabe Lá

Há um abismo Em cada escolha. Há milhares de histórias e possibilidades Mas às vezes tudo parece ser Tão estreito Como se fôssemos guiados Por uma viseira E não tivéssemos mais a liberdade Tão sonhada Mas sempre vaga Como sonhos tão estranhos Todas as noites.

A Nova Ordem

Pusilânime escárnio. Asco descascado. A cada dia um corolário. Militares de volta. A porta está fechada. Discursos de pura fachada. Capital especulado em bolsas invisíveis. Assassínios, silêncio. É a sangrenta nova ordem de sempre; Assista à TV e veja memes obscuros. Estamos no escuro e já não sabemos. Esquecemos a luz lá atrás, Arremedando e remendando. Hoje, só restam traços... Disfarce, se afaste e cale. Diz a ordem de sempre Travestida de novidade.

Relax

Gosto de cismar sozinho, Olhar o dia nascer ou findar E deixar o momento fluir, estar, ser. Entrementes, por vezes a noite assusta Com luas não tão intensas Cortadas ao meio ou menos Como barras de tapioca ou queijo. Gosto de caminhar pela mata, Seguindo as trilhas Que guardam histórias sem fim Errantes como noites sem estrelas. Gosto de ver o semelhante Sabendo caminhar ao seu gosto Deixando que digam, escondam, pensem... Pois no final, só importa a vontade de quem vive.