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Mostrando postagens de maio, 2017

Curtas

Sol que cai Inclina o dia... Desfaz o momento Do frio voraz. Luzes radiam Em meio ao caos, Que vivo inexiste Por não ter um fim. A tarde é firme Como um ponto no escuro, Como o buraco de um muro, Ou o medo sem fim.

Conselho

Permita-se estar Em contato com o sol. Deixe-me andar Só neste caminho. Saiba sair De tudo o que não te prende. Se não querem, Fique distante. Aprenda a ser nada Se necessário. Nada de dor ou lamentação. Tudo há de ser, Sem sabermos no instante O seu real motivo. Deixe esse triste arrebol E procure os campos alagados, Com seus feixes de capim, E suas águas turvas, Superfície tranquila, Onde o chão se confunde  Com o teu regaço,  E uma leve flor Cai entre os teus pés. Seja tudo o que puder ser,  Mas não seja apenas mais alguém... Seja tudo em si, E um nada no todo.

Distinto

Nunca soube Se um dia descobri O que é amar. Não tenho respostas. Nem busco perguntas Que me deixem confuso. Observo-te como quem vê O reflexo no espelho Ou os peixes correndo Na água límpida do riacho. Não sei se é amor. Nunca te fiz necessária. Só vejo que é uma vontade De estar e - quem sabe - ser.

À moça dos Cachos Bonitos

Os dias se passam tão sós, Límpidos como o teu olhar calmo, Doces como o seu cheiro em mim. O silêncio que impõe Guarda-me à tua espera, Sempre em busca de furtivos  Momentos para o reencontro. Vou em busca do sol e do vento, tentando encontrar Seus cachos soltos Nas folhas que caem, Na brisa que abraça, Nos pingos de chuva Que tocam o chão. Vou em busca dos teus olhos,  Escuros, profundos Em seu silêncio de água, Distantes em seu mergulho Na busca por um novo horizonte.